A relação entre biodiversidade, inovação e negócios de impacto marcou a 12ª edição do Impacta DF, realizado no dia 18 de setembro, no Sebraelab, localizado no Parque Tecnológico de Brasília (BioTIC). Promovido pelo Sebrae no Distrito Federal, em parceria com a Coalizão pelo Impacto e o Instituto Sabin, o encontro reúne periodicamente diferentes atores do ecossistema de impacto do Distrito Federal para promover conexões, compartilhar conhecimentos e discutir soluções para desafios sociais e ambientais.
Com o tema “Biodiversidade no Cerrado”, a edição propôs um olhar ampliado sobre o segundo maior bioma do Brasil e da América do Sul, destacando-o não apenas como um território de biodiversidade, mas também como espaço de conhecimento, cultura, identidade, criatividade e oportunidades. A programação buscou mostrar como a valorização dos recursos naturais pode estar associada à ciência, à inovação e ao desenvolvimento de novos negócios.
A proposta foi evidenciar que a biodiversidade pode abrir caminhos para a produção de conhecimento e para o desenvolvimento de soluções inovadoras. Nesse contexto, ciência, tecnologia, criatividade e empreendedorismo se conectam na construção de alternativas capazes de valorizar o Cerrado e, ao mesmo tempo, gerar impacto positivo.

O destaque da programação foi o painel “Cerrado: Da biodiversidade à Inovação”, que promoveu um bate-papo sobre as possibilidades de transformar conhecimento, criatividade e pesquisa em soluções e oportunidades relacionadas ao bioma. A conversa foi mediada por Erika Gadelha, bióloga, empresária e ativista ambiental, e contou com a participação de Manu Militão, artista plástico; Fabiana Castro, CEO da Amainar; e Felipe Carneiro, representante da Embrapa.
Ao reunir profissionais de diferentes áreas, o painel reforçou a importância da atuação integrada entre ciência, arte, pesquisa, tecnologia e empreendedorismo para ampliar a percepção sobre o potencial do Cerrado e estimular iniciativas que contribuam para sua valorização e conservação.
A programação também contou com uma sessão de pitches, que apresentou os expositores do evento: Iniciativas que transformam conhecimentos, recursos naturais e saberes tradicionais em produtos e soluções com potencial de impacto.
Entre os negócios participantes esteve a Erva Naria, liderada por Camila Grinsztein, que apresentou uma proposta voltada ao cultivo de plantas medicinais e à transformação dessas espécies em chás. Em seguida, a Martanxin Biojoias, que tem Elaine Nobre à frente, levou ao encontro peças que valorizam a cultura e os saberes ancestrais indígenas, conectando biodiversidade, identidade cultural e produção artesanal.

A LCB Nano, apresentada por Marcela Lemos, trouxe a proposta de um laboratório dedicado à pesquisa em regeneração tecidual, tratamento de feridas crônicas e desenvolvimento de curativos inteligentes. A iniciativa utiliza compostos bioativos de matérias-primas regionais, como pequi e urucum, na criação de fitoterápicos e outros produtos inovadores.
Já a Verde Novo Sementes Nativas apresentou sua atuação voltada à restauração de biomas e à geração de oportunidades para comunidades rurais, a partir do uso sustentável dos próprios recursos disponíveis em seus territórios.
A coordenadora da Coalizão pelo Impacto no DF, Dani Estevam, pontuou que a expectativa era ampliar a percepção sobre a relação entre biodiversidade, inovação, tecnologia e negócios de impacto. “Buscamos apresentar uma programação para que as pessoas percebam a conexão que existe quando falamos de inovação, tecnologia e negócios de impacto”, explicou.

“Foi uma oportunidade de despertar. A percepção que os participantes tiveram, ao longo das atividades, é de que o tema está presente no cotidiano, pois estamos imersos no Cerrado. Seja na alimentação, no vestuário, no consumo de água, na mobilidade ou nas paisagens, esse importante bioma nos circunda”, acrescentou.
A analista da Gerência de Negócios em Rede e gestora de Inovação e Sustentabilidade do Sebrae no DF, Isabela Patrocínio, também avaliou a importância de discutir a biodiversidade do Cerrado a partir da perspectiva de negócios de impacto e pontuou que o bioma possui potencial econômico para o desenvolvimento de negócios. Segundo a gestora, a viabilidade de atividades produtivas depende da adoção de práticas sustentáveis. “É necessário olhar para o Cerrado como um ativo muito valioso, precioso, e que quando é utilizado de forma responsável e sustentável, pode trazer lucratividade e gerar negócios”, afirmou.

“O Cerrado é a nossa casa, o nosso lar. Quando temos um olhar respeitador para esse território, conseguimos usufruí-lo com responsabilidade, sem explorá-lo”, concluiu Isabela.

