“O mundo precisa da alma feminina, do jeito feminino de liderar e construir pontes”. A fala marcante que representa a importância e competência do empreendedorismo feminino global foi dita pela presidente do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), Ana Claudia Badra Cotait, na abertura da 5ª edição do We Forum. O evento, voltado ao fortalecimento da presença feminina no universo empreendedor, foi realizado ao longo desta terça-feira, 3 de março, como parte da programação do Movimente 2026, uma iniciativa do Sebrae no Distrito Federal realizada com o propósito de articular políticas públicas que posicionem o Brasil entre os melhores destinos do mundo para a mulher empreender.
O fórum apresentou uma programação extensa, com uma série de painéis que trataram sobre os diversos desafios enfrentados por mulheres que empreendem, assim como debateu meios de fortalecer a presença feminina no cenário empreendedor. O encontro também celebrou o sucesso de empreendedoras que estão transformando o setor.
Além da participação de Ana Claudia Badra Cotait, a abertura contou com a participação de outras autoridades, como a presidente do capítulo brasileiro do BRICS Women’s Business Alliance (WBA) e presidente do Fórum Nacional da Mulher Empresária (FNME), Mônica Monteiro, e da superintendente de Compliance e Integridade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Danusa Costa Lima.
Políticas públicas como estratégias essenciais
O primeiro painel previsto na programação foi o We Think (Nós Pensamos), que discutiu como políticas públicas precisam ser estudadas e criadas para ajudar as mulheres a empreender internacionalmente e exportar.
Segundo a coordenadora de engajamento do setor privado em mecanismos multilaterais da CNI, Gabriela Leoni, uma das participantes da ocasião “acordos de comércio definem os negócios diariamente, então se estivermos dentro desses acordos, os desafios das mulheres podem ser considerados nas políticas públicas para os nossos negócios”.
Neste mesmo painel, a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres, explicou que as empresas que exportam são mais resilientes e contratam melhor os seus funcionários. No entanto, a participação das mulheres no comércio exterior ainda é muito pequena. Quando ocorre, a maioria é em pequenas empresas. Ela ainda observou que o comércio exterior poderia estar em outro lugar melhor se as mulheres estivessem mais presentes. “No entanto, essa ausência não é proposital, mas sim por falta de incentivo e políticas públicas”, assegurou ela.
O painel seguinte, o We Pitch, apresentado pela gerente de Competitividade da ApexBrasil, Clarissa Alves Furtado, mostrou que o e-commerce pode ser uma boa oportunidade de inserção da mulher no mercado internacional. A ocasião explorou, ainda, a inovação como eixo central, reunindo lideranças e especialistas para refletir sobre o papel da tecnologia como ferramenta de integração internacional e ganho de produtividade.
Mesmo que poucas, há autoridades femininas na aviação
Outro painel de destaque trouxe duas histórias inspiradoras ligadas ao mundo da aviação e aeronáutica, que é majoritariamente masculino. Esteve presente a major-brigadeiro da Força Aérea Brasileira, Carla Lyrio, que foi a primeira mulher a ter esse cargo no Brasil e que ainda é a única oficial de três estrelas no país. Carla afirmou que acredita na força do discurso positivo para que as mulheres enfrentem as dificuldades. “A mulher que tem coragem e autoconfiança é capaz de obter uma rede de suporte de apoio, assessorias, mentorias e de caminhar buscando sempre a capacitação continuada. Eu aceitei os desafios como oportunidades e vejo que é isso que se deve fazer mesmo que possa parecer desconfortável às vezes”, comentou.
Ao lado de Carla na conversa estava Ana Raquel Calhau que é CEO da NexAtlas, a primeira plataforma brasileira de planejamento e navegação aérea. A fundadora afirmou que, para transmitir uma ideia mais clara, define sua ideia de negócio como um Waze para aviação.
Ana Raquel comentou sobre as dificuldades da mulher no cenário empreendedor e, explorando o assunto aviação, detalhou como ocorreu sua entrada no setor, ressaltando que não encontrou dificuldades, já que o empreendedorismo é um comportamento presente em parte de sua família assim como o assunto aviação. Por fim, ela avaliou que o futuro da aviação é tecnológico, sustentável e será orientado pelo uso de dados.
Criação, inovação e futuro
No painel We Create, o público pôde conferir um debate sobre como a indústria criativa pode posicionar o público feminino como agente central da economia, convertendo esse potencial em mercados reais por meio do design de produtos e de estratégias de criação de valor. A jornalista Flávia dos Santos, da RCN Televisão, aproveitou a ocasião para jogar luz sobre os desafios da mulher no setor e contou detalhes sobre a missão que desempenha de ser apresentadora de TV em uma sociedade machista. “Sinto que sempre buscam ancorar a figura da mulher à de um homem. É como se o trabalho dependesse, exclusivamente, da figura masculina”, pontuou.
O painel focado na inovação, o We Innovate, trouxe a percepção da CEO da Serpa Brasil, Tânia Reis. Ela compartilhou a felicidade de que tem visto cada vez mais mulheres em espaços voltados ao empreendedorismo, ocupando espaços de lideranças e contribuindo para o avanço da economia. “Nosso propósito é ver que as mulheres podem ter acesso a mentorias globais. A partir do momento que vocês, empreendedoras, começarem a se movimentar globalmente, vocês vão ver o efeito que isso traz”, sentenciou.
O painel de encerramento do fórum foi o We Are The Future, foi moderado por Francieli Covatti e reuniu mulheres de diferentes países para compartilhar perspectivas empreendedoras de suas regiões. Participaram da conversa a embaixadora de Barbados no Brasil, Tonika Sealy Thompson, e a chair da BRICS Women’s Business Alliance (WBA) Egito, Marianne Ghali. Representando o agronegócio, Antonielly Rottoli, trouxe a conexão entre o agro e o empreendedorismo feminino. “Queremos fazer mulheres rurais da ponta verem que podem chegar no topo”, destacou.
A programação do We Forum contou, ainda, com a realização de uma oficina promovida simultaneamente aos debates, além de encontros de networking internacional. Organizada pelas unidades do Sebrae no Centro-Oeste, pela CNI e pela ApexBrasil, a ação teve foco na troca de contatos e no mapeamento de parcerias comerciais globais, permitindo que empresárias brasileiras se conectem diretamente com delegações estrangeiras e lideranças da WBA.
Parcerias estratégicas ainda foram firmadas durante a realização da atividade no Movimente 2026. Um acordo estratégico foi firmado entre e o Brasil com a Índia e um segundo com Moçambique. Ambos os vínculos visam o desenvolvimento de projetos inclusivos de empreendedorismo feminino, focados em fortalecer a competitividade e o protagonismo das mulheres no comércio global.
Homenagens
Além dos debates, quatro mulheres foram homenageadas durante o We Forum 2026 em reconhecimento à sua atuação global no apoio ao empreendedorismo feminino. Foram reconhecidas personalidades como a chair da BRICS Women’s Business Alliance (WBA) Egito, Marianne Ghali; a coCEO da GlobalFruit e também presidente do grupo Sabin, Raquel Vaz; e a secretária e membro do Capítulo Sul-Africano BRICS WBA, Nomonde Dinizulu Shezi.
-
-
-
