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Robótica e sustentabilidade se destacam na etapa regional do Circuito de Ciências em Santa Maria

Projetos unem tecnologia, preservação ambiental e protagonismo estudantil na 14ª edição do evento
Por Jamile Rodrigues | Clip Clap Comunicação
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A 14ª edição do Circuito de Ciências do Distrito Federal segue mobilizando estudantes e professores em todas as regionais de ensino. Nesta semana foi a vez de Santa Maria receber a etapa classificatória do evento, que reúne projetos desenvolvidos nas escolas públicas locais e seleciona os melhores para a fase distrital. Os vencedores irão representar a regional durante a 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), entre 20 e 26 de outubro, em Brasília.

Promovido pela Secretaria de Educação do DF (SEEDF), o Circuito de Ciências tem como tema central em 2025 “Água para quê?”, estimulando que as iniciativas escolares reflitam sobre o uso sustentável desse recurso essencial. O Sebrae no Distrito Federal, parceiro em todas as edições, esteve presente com estande interativo que ofereceu oficina maker e jogos educativos, reforçando a conexão entre ciência, inovação e educação empreendedora.

Entre os trabalhos apresentados, alunos da Escola Técnica de Santa Maria desenvolveram um Robô Autônomo de Detecção e Combate com uso Eficiente de Água em Ambiente Escolar. O protótipo foi criado para atuar na economia de água em situações de incêndio. “Quando o fogo é identificado em estágio inicial, a quantidade de água usada é muito menor. Nosso robô chega ao foco em cerca de 15 segundos e consegue apagá-lo em menos de cinco segundos, utilizando apenas 50 ml de água”, explicam os estudantes Aldiney Silvestre e Ian dos Santos Marques.

Dez ensaios já foram realizados, com taxa de sucesso de 80%. A falha nos outros dois ocorreu devido à calibragem de ângulo e altura do jato de água. A economia obtida impressiona: enquanto um incêndio em casa de pequenas proporções pode demandar até 18 mil litros de água, o robô poderá reduzir essa quantia em mais de 70%. O equipamento funciona de forma autônoma, equipado com sensores de chama, ultrassônicos e placa Arduino. Ele patrulha o ambiente, identifica o foco de incêndio e inicia o combate de forma independente. Após extinguir o fogo, retorna à função de monitoramento.

A equipe já planeja ampliar o alcance da tecnologia. O investimento estimado para uma versão em escala maior, voltada para áreas florestais, seria de cerca de R$ 80 mil. “Essa versão contaria com uma carreta auxiliar, capacidade para armazenar até 2 mil litros de água e poderia atuar em parceria com órgãos como o Corpo de Bombeiros”, disse o professor de robótica Francisco Michel.

Foto: Focus Produção de Imagem

Outro destaque foi o ‘‘Água da Chuva e Robótica como instrumentos para recuperação de áreas degradadas – Projeto Plantando’’, do CEF 308 de Santa Maria. A iniciativa surgiu como resposta a um cenário de degradação, em que a escola estava cercada de entulho, lixo e pragas urbanas, o que comprometia a saúde e o convívio escolar.

“Os próprios estudantes reclamavam da situação. Então provocamos as turmas a pensar em soluções, e eles sugeriram plantar árvores. Assim, começamos a transformar o espaço da escola de dentro para fora”, explicou a professora de ciências Rejane Santos. Pneus foram reaproveitados como suportes para mudas, e a comunidade escolar passou a se envolver na revitalização.

Hoje, a escola já possui horta, viveiro e área externa arborizada com ipês, flamboyants, jabuticaba, manga, açaí e outras espécies. Para a aluna Laura Borges Carvalho, o impacto foi imediato: “Plantar o primeiro pé de jabuticaba foi emocionante. Participar desse processo nos enche de orgulho e mudou a cara da escola”, ponderou a aluna Laura Borges Carvalho, do 9º ano.

O projeto ganhou força ao integrar tecnologia e sustentabilidade. Com apoio de um professor voluntário, foi implantado um sistema de irrigação automatizado, que aproveita um reservatório de 5 mil litros de água da chuva. O controle é feito por placa Arduino e sensores de umidade, que acionam a bomba apenas quando o solo está seco. “Dessa forma, conseguimos manter as plantas mesmo no período de seca, utilizando de forma inteligente um recurso que já estava disponível”, destacou a também professora de ciências Fernanda Souza. O projeto envolve todos os 800 alunos da turma e funciona de forma perene, com as turmas de 6º a 9º ano.

Foto: Focus Produção de Imagem

Para Claudiney Formiga Cabral, coordenador da Regional de Ensino de Santa Maria, os resultados do circuito vão além do aprendizado técnico. “Mais do que conteúdo científico, o circuito promove protagonismo estudantil, senso crítico e responsabilidade social. Muitos desses projetos já provocaram mudanças concretas na comunidade”, afirmou.

Parceiro histórico do Circuito de Ciências, o Sebrae no DF segue aproximando os projetos estudantis da lógica empreendedora. Para Ana Emília, representante da instituição, essa integração é estratégica para o desenvolvimento de uma sociedade cada vez mais conectada. “A cada edição do circuito, vemos como os estudantes se apropriam da ciência para propor soluções conectadas ao território. Para o Sebrae, é uma oportunidade de estimular competências empreendedoras como inovação, colaboração e visão de futuro. Nosso objetivo é que eles percebam que têm condições reais de transformar ideias em impacto, e que estamos juntos nessa jornada”, finalizou.