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Mês da Gente leva colaboradoras do Sebrae no DF para conhecer rotina da Cooperativa Planalto

Visita reuniu nove colaboradoras e aproximou a equipe da realidade de mulheres que tiram do trabalho com recicláveis o sustento das famílias
Por Jamile Rodrigues | Clip Clap Comunicação
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Entre sacos, caixas, garrafas, papéis e outros materiais que chegam diariamente para separação, existe uma rotina de trabalho que muitas vezes passa despercebida por quem simplesmente descarta o lixo. Foi para aproximar colaboradoras dessa realidade que o Sebrae no Distrito Federal promoveu, como parte da programação do Mês da Gente, uma visita à Cooperativa Planalto, no Alto da Boa Vista, região próxima de Sobradinho.

A atividade reuniu nove colaboradoras do Sebrae, que conheceram a estrutura utilizada pelas catadoras, conversaram com integrantes da cooperativa e acompanharam de perto parte do processo de separação dos materiais recicláveis. Diferentemente de uma visita técnica tradicional, o encontro também abriu espaço para que as trabalhadoras apresentassem suas próprias demandas e conhecessem possibilidades de capacitação e apoio oferecidas pelo Sebrae.

A Cooperativa Planalto atua desde 2008 e atualmente conta com 13 colaboradores. A história mais recente da organização é marcada por um período de forte redução da renda e do número de cooperados depois que a entidade precisou deixar a área de transbordo do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), onde recebia diretamente os materiais recolhidos pelos caminhões da coleta pública.

Segundo a secretária da cooperativa, Raimunda da Silva, a saída do antigo espaço fez com que o grupo precisasse recomeçar praticamente do zero. Quando deixou a área de transbordo, a cooperativa tinha dezenas de catadores. Sem um contrato com o SLU e com apenas um caminhão pequeno para buscar materiais nas ruas, a renda de cada trabalhador chegou a cair para menos de R$ 200.

Foto: Renato Alves | Ascom Sebrae no DF

“Quando saímos de lá, a nossa renda caiu muito. A gente teve que pegar material na rua para conseguir manter a cooperativa funcionando e não deixar ela acabar. Muitas pessoas foram desistindo porque tinham filhos, aluguel e outras despesas e não conseguiam continuar trabalhando nessas condições. Nós chegamos a ficar em sete pessoas, mas essas sete continuaram na luta”, conta Raimunda.

A cooperativa conseguiu regularizar sua documentação e, posteriormente, firmou um contrato de coleta seletiva, o que permitiu retomar a contratação de trabalhadores. Atualmente, o grupo utiliza uma área pertencente à Central das Cooperativas de Trabalho de Catadores de Materiais do Distrito Federal (Centcoop), sem pagamento de aluguel. A estrutura, porém, ainda é bastante diferente daquela disponível no antigo endereço.

“Quando estávamos no transbordo, tínhamos tenda, contêineres, cozinha, uma prensa e uma estrutura muito melhor. Quando saímos de lá, disseram que seria por pouco tempo, que construiriam um galpão para nós. Só que isso não aconteceu e tivemos que nos manter aqui”, explica Raimunda.

Hoje, a cooperativa trabalha sob sol e chuva, em uma estrutura que ainda impõe limitações ao cotidiano das catadoras. A questão foi uma das que mais chamaram a atenção das colaboradoras durante a visita e também apareceu nas conversas realizadas com as trabalhadoras.

Conhecer para criar novas conexões

Para Rafaela Ferreira, analista do Sebrae no DF que acompanhou a atividade, a visita permitiu olhar para o trabalho das cooperativas a partir de uma perspectiva mais próxima e também identificar oportunidades de apoio que podem ser construídas a partir das necessidades apresentadas pelas próprias catadoras.

“O mais importante dessa visita foi poder conhecer de perto a realidade dessas mulheres, ouvir o que elas precisam e entender como o Sebrae pode contribuir de uma maneira mais concreta. Muitas vezes existem cursos, consultorias e outras soluções que podem fazer sentido para elas, mas primeiro precisamos criar essa aproximação e apresentar essas possibilidades. Saímos daqui também com alguns encaminhamentos, como a busca por uma estrutura que permita que elas trabalhem em melhores condições, protegidas do sol e da chuva’’, ponderou a analista.

Foto: Renato Alves | Ascom Sebrae no DF

Durante a visita, outras catadoras da cooperativa também participaram das conversas e receberam informações sobre as possibilidades de capacitação oferecidas pelo Sebrae. Entre os temas que despertaram interesse estão gestão, organização do negócio e outras formações que podem contribuir para ampliar as alternativas de geração de renda.

A aproximação também mostrou que o trabalho desenvolvido dentro da cooperativa não se resume à separação dos resíduos. Cada integrante carrega uma história própria e uma relação diferente com o material que chega ao espaço.

É o caso de uma das catadoras conhecida como Mocinha, de 42 anos, moradora do assentamento Arroizal, localizado nas proximidades da cooperativa. Ela trabalha há anos com a coleta de recicláveis e encontra nessa atividade a principal fonte de sustento para os cinco filhos.

A rotina é pesada, mas ela não enxerga o trabalho apenas como uma forma de sobrevivência. Durante a visita, falou também sobre o desejo de aprender e ampliar seus conhecimentos, inclusive em áreas que possam abrir novas possibilidades profissionais. “A gente trabalha muito, mas também tem vontade de aprender outras coisas. Quando falaram de curso de panificação, eu fiquei animada. Acho importante a gente ter oportunidade de aprender, porque a gente nunca sabe o que pode surgir depois’’, disse.

Uma cooperativa que tenta permanecer de pé

A trajetória da Planalto ajuda a explicar por que a atividade desenvolvida no local exige mais do que a coleta e a separação de materiais. A cooperativa mantém vínculo com a Rede Centcoop, que reúne 24 cooperativas do Distrito Federal, e atualmente possui um contrato de coleta seletiva. Ainda assim, enfrenta dificuldades relacionadas à estrutura física e a débitos acumulados de gestões anteriores.

Foto: Renato Alves | Ascom Sebrae no DF

A organização também busca avançar para novos contratos, inclusive na triagem de materiais, mas a situação financeira ainda é um dos obstáculos para esse movimento. Raimunda explica que parte das dívidas foi acumulada antes da atual gestão e precisa ser equacionada enquanto a cooperativa reorganiza suas contas.

Mesmo com essas dificuldades, ela afirma que a situação atual é melhor do que aquela vivida no período em que a cooperativa quase encerrou as atividades. “Hoje está bem melhor. Quando chegamos aqui não foi fácil. Tivemos momentos em que pensamos em acabar com a cooperativa. Mas continuamos. Fomos regularizando a documentação, conseguimos o contrato e começamos a trazer as pessoas de volta”, relata.

A atividade fez parte da Semana do Comitê de Sustentabilidade do Sebrae no DF, integrada à programação do Mês da Gente. A iniciativa proporcionou às colaboradoras uma aproximação com a realidade das mulheres que trabalham na Cooperativa Planalto e abriu espaço para conhecer suas demandas, apresentar possibilidades de capacitação e discutir formas de apoio às condições de trabalho no local.

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