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Evento marca o lançamento da segunda edição do Prêmio Café do Cerrado Central

Iniciativa promovida pelo Sebrae no DF em parceria com o Sistema Fape-DF/Senar/Sindicatos busca incentivar a melhora na produção e contribuir para a identidade do café produzido no DF
Por José Maciel | Clip Clap Comunicação
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Antes de chegar à mesa e ao paladar das pessoas, o café percorre um caminho repleto de processos e que começa muito antes da chamada torrefação, o processo que aplica calor controlado aos grãos ainda verdes para transformá-los em grãos marrons e aromáticos que formam a bebida reconhecida nacional e internacionalmente.

Foi com a proposta de fortalecer justamente toda essa cadeia que representantes da cafeicultura do Distrito Federal se reuniram na tarde da última sexta-feira, 11 de setembro, para a realização da segunda edição do Workshop Café do Cerrado Central. O evento foi organizado pelo Sebrae no DF e pelo Sistema Fape-DF/Senar/Sindicatos, integrou as atividades da Exposição Agropecuária de Brasília (Expoabra) de 2026 e reuniu produtores, pesquisadores e demais atores da cadeia produtiva do café no auditório da sede do sistema, localizado no Parque de Exposições da Granja do Torto.

A realização do evento teve como ponto alto o lançamento oficial da edição 2026 do Prêmio Café do Cerrado Central, criado pelas instituições no segundo semestre do ano passado para engajar e incentivar os produtores, fortalecer a identidade do café local e destacar a qualidade e a origem da produção.

O edital da nova edição foi lançado durante o próprio workshop, com abertura das inscrições prevista para a próxima semana, dando início a um prazo de cerca de um mês para o envio das amostras pelos produtores interessados.

E se na estreia da premiação ainda pairava certo receio sobre a aceitação da iniciativa entre os produtores, o retorno financeiro obtido pelos vencedores, refletido na melhoria das vendas, deve impulsionar ainda mais a participação nesta segunda edição — a organização já projeta receber ao menos 40 amostras, número bem acima das 25 registradas na primeira edição.

O anúncio do vencedor será feito no dia 5 de novembro, durante a realização do Alimenta 2026, maior evento da cadeia de alimentação do DF, que ocorrerá de forma gratuita no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade.

Para Ivan Silva, analista da Gerência de Negócios em Rede e gestor do projeto Crescer no Campo do Sebrae no DF, a expectativa para a nova edição também se apoia no conteúdo entregue durante o workshop. “Trouxemos hoje um workshop muito rico, com muitas informações que acreditamos serem essenciais para o produtor que quer se especializar e oferecer um produto com uma qualidade ainda maior. Estamos muito otimistas com o que está por vir”, avaliou.

Foto: Assessoria de Comunicação do Senar/DF

Eduardo Schulter também falou com otimismo sobre a segunda edição do prêmio. O superintendente do Senar/DF pontuou o sucesso da primeira edição da iniciativa e reforçou que a instituição, assim como o Sebrae, mantém o trabalho de acompanhamento técnico e capacitação ao longo de todo o ano, com o objetivo de viabilizar a transferência de tecnologia e conhecimento que permita aos produtores elevar a qualidade do que produzem em suas propriedades.

“O Senar/DF tem trabalhado em uma grande sintonia com o Sebrae. Essa soma de esforços tem sido fundamental para o desenvolvimento do agro no DF e, de um modo especial, da cafeicultura. A realização desse workshop e de mais uma edição do prêmio comprovam esse nosso objetivo, e o nosso desejo é que mais produtores se inscrevam e ajudem a colocar o nosso café em uma posição cada vez mais relevante”, afirmou Schulter.

O público participante do workshop também pôde acompanhar um breve depoimento de Juliano Coacci, produtor do Café Passárgada, rótulo campeão da primeira edição do Prêmio Café do Cerrado Central. O café é cultivado em uma área de meio hectare na Ponte Alta, no Gama, um dos pontos mais frios do Distrito Federal.

A ideia de cultivar o fruto na região surgiu de uma parceria firmada por Juliano com Felipe Brige, iniciada há mais de sete anos, a partir de um teste de adaptabilidade. O plantio de novos pés, no entanto, só aconteceu em 2020 e seguiu sendo conduzido com esmero pela dupla. Atualmente, a área de cultivo é dividida entre até seis variedades de café, com destaque para o Arara, variedade premiada, e o Catuaí.

Juliano ressaltou, ainda, a continuidade do prêmio, destacando o impacto transformador da iniciativa na cafeicultura local. Segundo ele, o reconhecimento obtido na edição anterior acelerou sua trajetória profissional, motivando uma busca contínua por aprimoramento técnico e o estudo de particularidades no manejo das variedades de café.

Por fim, o produtor encorajou os demais cafeicultores a submeterem suas amostras para a nova edição. “Espero que nesta edição mais produtores possam submeter suas amostras e fazer parte da história desse prêmio”, declarou.

Conhecimento para valorizar o café do Cerrado

A programação do Workshop também contou com a participação da superintendente regional do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para o Centro-Oeste, Michele Sedrez, que abordou como as Indicações Geográficas (IGs) podem agregar valor à cadeia produtiva do café no Distrito Federal.

Em seguida, o especialista em branding Lívio Lourenzo apresentou a palestra “Quando o território vira marca: a força da identidade do Cerrado Central”. Ele detalhou a concepção estratégica da marca do Prêmio Café do Cerrado Central, ressaltando que o propósito central não é rivalizar produtores, mas construir a percepção de qualidade em torno do território.

Foto: Assessoria de Comunicação do Senar/DF

Lívio explicou que a proposta visual da marca combina a saca de café, as linhas de plantio, o ramo frutificado e o sol do cerrado, em um conjunto que dialoga com o selo de Brasília como Cidade do Design pela Unesco. O especialista também comentou a criação da marca “Distrito do Café”, batizada com o conceito “Brasília, horizonte dos cafés de especialidade”, que une o território brasiliense à proposta de valorização da produção local.

Já Paulo Morais, especialista em café com certificação internacional de Q-Grader e jurado na primeira edição da premiação, conduziu a palestra “Como preparar uma amostra competitiva”.

Foto: Assessoria de Comunicação do Senar/DF

Falando a partir da perspectiva de torrador, ele destacou a surpresa com o alto nível dos grãos produzidos no Distrito Federal e elogiou o potencial produtivo da região. Ele defendeu que o caminho estratégico mais viável para os produtores locais é o foco absoluto na qualidade excepcional, aliado ao fortalecimento do branding e à estruturação de uma identidade geográfica sólida capaz de agregar valor ao produto.

A programação do workshop foi encerrada por Mariana Proença, uma das principais jornalistas e especialistas em café do Brasil, com mais de 20 anos de dedicação ao mercado de cafés especiais.

Em sua apresentação, ela trouxe um panorama do setor no país, hoje responsável por exportar grãos para mais de 120 países, além de retomar aspectos da história do café no Brasil, como a entrada das variedades arábica e conilon e a formação do conceito de terroir, hoje presente em 35 regiões produtoras reconhecidas no território nacional.

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