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Estudantes de Brazlândia participam da etapa regional do Circuito de Ciências

Realização contou com apoio do Sebrae e reuniu centenas de estudantes no Centro de Educação Profissional da região administrativa
Por José Macil | Clip Clap Comunicação
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As instalações do Centro de Educação Profissional de Brazlândia receberam, na terça-feira, 2 de setembro, um dos eventos previstos no cronograma da etapa regional do 14º Circuito de Ciências das Escolas Públicas do Distrito Federal. A iniciativa é organizada pela Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) e, pelo terceiro ano consecutivo, conta com o apoio do Sebrae no DF na mobilização da comunidade escolar e no incentivo à produção e divulgação científica, tecnológica, empreendedora e cultural.

A edição deste ano do circuito tem a proposta de incentivar a pesquisa, a criatividade e o protagonismo estudantil, além de promover um debate essencial sobre a preservação dos recursos hídricos. Para isso, os estudantes da rede pública do DF foram incentivados a desenvolver projetos alinhados ao tema “Água para quê?”, que por sua vez está em consonância com a 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), cujo foco será “Planeta Água: Cultura oceânica para enfrentar as mudanças climáticas no meu território”. A SNCT é o principal evento de divulgação científica do Brasil. O evento é realizado, há 21 anos, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e conta com atividades do Norte ao Sul do país.

Neuseli Alves, coordenadora da regional de Ensino de Brazlândia, destacou a importância do circuito para envolver os estudantes, assim como quaisquer outras iniciativas que transformam o estudante em protagonista. “Ao participar de uma atividade como esta, o estudante compreende a relevância de sua contribuição. Ele consegue entender melhor que o que ele o esforço dele é importante, que as pessoas vão parar, vão escutar e vão valorizar o que ele fez. Essa percepção é essencial para o desenvolvimento e o engajamento dos nossos jovens na ciência, na tecnologia e em outros assuntos”, pontuou.

A coordenadora também observou que o circuito é uma oportunidade ímpar para valorizar o trabalho do profissional de educação que atua dentro das instituições de ensino e colocou, bem como a parceria com o Sebrae no DF é outro ponto de destaque. Neuseli descreve a instituição como uma grande parceira, que contribui não apenas com apoio financeiro, mas também com formação e suporte essencial para o trabalho dos educadores. “É uma colaboração fundamental para fomentar a inovação e o empreendedorismo nas escolas, enriquecendo a experiência educacional dos estudantes de Brazlândia”, afirmou

O Sebrae também levou atividades interativas para a etapa regional de Brazlândia, como oficinas com canetas 3D e jogos educativos. Além disso, a instituição será responsável pela premiação complementar dos projetos e escolas vencedoras na etapa distrital, prevista para outubro.

A Coordenação Regional de Ensino de Brazlândia atua como um pilar de suporte para as 32 escolas, uma unidade de internação e cinco creches sob sua jurisdição, que atendem a mais de 16 mil estudantes. Um dos grandes desafios enfrentados pela regional é a distância das escolas rurais. Brazlândia possui 12 escolas do campo, algumas localizadas a quilômetros de distância, chegando a cerca de 50 km do perímetro urbano da região administrativa.

Foto: Focus Produção de Imagem

Giovana Gabrielly Tavares, aluna do 5º ano da Escola Classe Almécegas, em Brazlândia, foi uma das participantes da etapa regional, apresentando um projeto de dessalinização de água. Diante da alta salinidade dos poços artesianos locais, que compromete o uso da água pela comunidade, Giovana e seus colegas, com apoio de professores, desenvolveram um protótipo de destilador solar. O objetivo é testar se essa tecnologia simples e de baixo custo pode tornar a água salobra potável, replicando o ciclo natural de evaporação e condensação para remover os sais.

O protótipo de dessalinizador solar, construído com uma base transparente, cobertura inclinada, coletor central e acessórios de medição, foi testado com água salobra sob radiação solar por 4 a 8 horas. Os ensaios mediram a salinidade antes e depois, o volume de água produzida e a compararam com padrões de potabilidade para avaliar sua viabilidade doméstica. Os resultados foram positivos e já foram apresentados e atestam a segurança para o consumo da água dessalinizada. “Nós conseguimos fazer esse projeto em casa também, de uma forma mais simples. Tudo foi muito bom. A experiência foi ótima, pois nunca tínhamos pensado que poderíamos arrumar uma solução com um projeto simples. Agora nós precisamos de ainda mais apoio para melhorar a ideia e atender a toda a nossa comunidade de Almécegas”, observou a estudante, de 11 anos.

A realidade da condição da água disponível para consumo em Almécegas é testemunhada diariamente pela professora de Giovana, Jéssica Adriely Pereira. Ela conta que, juntamente com os demais educadores, precisa levar garrafas de água de casa, e que estudantes e professores fazem uma espécie de vaquinha para comprar galões de água para consumo nas dependências da escola. “O nosso projeto foi pensado a partir dessa realidade inconveniente e serviu para mostrar aos estudantes a água de Almécegas não potável e que tem como ser tratada. Não é apenas um exercício pedagógico, mas uma ação de suma importância social”, observou a professora.

Outro projeto apresentado durante a etapa regional do circuito analisou a qualidade da água do Lago Veredinha, um dos locais mais frequentados de Brazlândia. Estudantes do Centro de Ensino Médio 01 da cidade coletaram amostras da água em diferentes pontos e profundidades, levando-as para análise laboratorial e observação microscópica. Para determinar o pH da água, a equipe, com supervisão do professor de química Diogo Oliveira, utilizou repolho roxo como indicador natural. Os resultados revelaram a presença de protozoários e um pH levemente ácido. A escolha do repolho roxo, segundo o professor, reforça o viés ambiental do projeto, ao optar por um medidor natural e sustentável.

Foto: Focus Produção de Imagem

O projeto abordou, ainda, a questão da Língua Brasileira de Sinais (Libras), adaptando sinais para conceitos de química para atender alunos surdos da unidade escolar. “Nós adaptamos alguns sinais para representar os diferentes níveis de acidez e basicidade, como o sinal para limão, que tem pH próximo de 2. Assim, a conseguimos garantir que o conhecimento científico fosse acessível a todos, promovendo um ambiente de aprendizado verdadeiramente inclusivo”, disse o educador.

Envolvida no projeto que analisou a qualidade da água do Lago Veredinha, a estudante Ana Clara Santos, do 3º ano, falou sobre a experiência de participar do circuito. “Nós tínhamos em mente que o lago já era poluído. O trabalho que fiemos ajudou a consolidar essa percepção e, mais importante, a despertar em nós uma consciência sobre a necessidade de preservação. É um lugar importante para Brazlândia. É um espaço onde famílias se reúnem para momentos de lazer e que não pode ficar com uma má fama”, concluiu a estudante.

O 14º Circuito de Ciências das Escolas Públicas do Distrito Federal já estabeleceu o cronograma para todas as suas etapas regionais, que acontecem até o próximo dia 12. Detalhes e informações adicionais podem ser consultados no portal oficial da iniciativa: circuitocienciasedf.com.br.