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Etapa Regional do Circuito de Ciências movimenta a Escola Parque Anísio Teixeira, em Ceilândia

Realização contou com apoio do Sebrae no DF a fim de estimular a pesquisa, a criatividade e o protagonismo estudantil, além de colocar em evidência a preservação dos recursos hídricos
Por José Maciel | Clip Clap Comunicação
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A Escola Parque Anísio Teixeira, em Ceilândia, recebeu na sexta-feira, 5 de setembro, um dos eventos que integram o calendário da etapa regional do Circuito de Ciências das Escolas Públicas do Distrito Federal. A iniciativa, organizada pela Secretaria de Estado de Educação do DF (SEEDF), contou, pelo terceiro ano consecutivo, com o apoio do Sebrae no DF, fundamental para a mobilização da comunidade escolar e o incentivo à produção e divulgação científica, tecnológica, empreendedora e cultural.

A edição deste ano do circuito buscou estimular a pesquisa, a criatividade e o protagonismo estudantil, promovendo um debate essencial sobre a preservação dos recursos hídricos. Para isso, estudantes da rede pública do DF foram incentivados a desenvolver projetos alinhados ao tema “Água para quê?”, em consonância com a 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), cujo foco é “Planeta Água: Cultura oceânica para enfrentar as mudanças climáticas no meu território”. A SNCT é o principal evento de divulgação científica do Brasil, realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

O coordenador regional de ensino de Ceilândia, Vinicius Bürgel, falou sobre a magnitude do evento. Ele contou que a regional abrange, atualmente, um total de 98 escolas e atende cerca de 90 mil alunos, números que fazem da região administrativa mais populosa do DF uma das etapas do circuito de ciência com maior público. “A participação dos estudantes aqui em Ceilândia é sempre expressiva. E a cada ano, fico ainda mais impressionado. As escolas estão sempre engajadas. Há um grande envolvimento da comunidade escolar e isso reflete na qualidade e na diversidade dos trabalhos que são apresentados”, comentou.

Foto: Focus Produção de Imagem

Bürgel ressaltou ainda a importância da parceria com o Sebrae para o fomento da cultura de inovação e tecnologia na educação. “O Sebrae é sinônimo de Inovação. É parceria. É trabalho sério. E com um parceiro desse, a gente pode contar. O Sebrae tem um peso enorme dentro dessa realização e para a educação pública em geral. É um trabalho que faz um grande diferencial na vida dos estudantes”, afirmou.

O impacto da atuação do Sebrae com os estudantes ficou nítido no espaço montado para a etapa regional de Ceilândia. Ali, a instituição preparou um ambiente com atividades interativas, como oficinas com canetas 3D e jogos educativos.

A poucos metros dali, era possível conferir exemplos de engajamento escolar e incentivo à ciência. Um dos espaços foi ocupado por estudantes do Centro Educacional 11, que fica no Setor P Norte. Eles desenvolveram um projeto de combate à dengue e que baseia no uso de armadilhas onde o mosquito da dengue deposita seus ovos, permitindo o controle populacional e a identificação de focos. Para isso, os estudantes criaram um larvicida capaz de esteriliza o mosquito sem ser prejudicial a humanos e animais. “Mesmo que ele coloque os seus ovos ali, esses ovos, se ele vier a nascer, esse mosquito já vai estar estéril. Ele não vai conseguir mais se reproduzir, então dessa forma, a gente consegue combater o mosquito da dengue”, explicou o professor.

Os estudantes desempenharam um papel determinante em todas as etapas do processo de monitoramento e combate ao mosquito. Desde a instalação de armadilhas e aplicação de larvicidas até a coleta dos insetos com um “caça mosquito” e a análise do inseto em laboratório. Os experimentos foram conduzidos dentro da própria unidade escolar, em pontos estrategicamente definidos para monitoramento. Além disso, uma parceria estabelecida com a Universidade de Brasília (UnB) tem sido fundamental para o avanço da iniciativa. Uma equipe da universidade visita a escola semanalmente para coletar dados e supervisionar as atividades, garantindo a validade científica dos resultados e a eficácia do projeto.

O estudante João Daniel de Melo, de 12 anos, é um dos envolvidos no projeto de combate à dengue. Entusiasta de disciplinas como biologia, química e física, ele contribui na montagem das armadilhas para capturar os mosquitos, distribui-as em pontos estratégicos da escola e auxilia na preparação do larvicida, demonstrando um envolvimento prático e direto no combate ao Aedes aegypti. “Fiquei muito feliz por participar desse projeto. Eu me senti um cientista, mesmo, que ia ter microscópio para nós tentar diferenciar se é macho, fêmea, se é Aedes aegypti ou não. Nós sabíamos que a dengue é uma doença séria, capaz de apresentar um quadro grave em muitas pessoas e até mesmo ser mortal. Foi muito legal participar desse projeto, aprender mais sobre a doença, o mosquito e assim colaborar com a saúde das pessoas da nossa cidade”, comentou o estudante.

Foto: Focus Produção de Imagem

Outro projeto de destaque apresentado na etapa regional do Circuito de Ciência em Ceilândia foi o “Cultura Oceânica – Artesanato Marinho”, desenvolvido por estudantes do 2º ano da Escola Classe 15 de Ceilândia. A iniciativa surgiu da professora Sandra de Jesus Santos, que durante uma viagem de férias ao Piauí visitou uma comunidade onde conheceu artesãs que utilizavam escamas de peixe para produzir itens variados. Ainda na comunidade, a educadora aprendeu o processo completo de produção com o uso de peças, desde a limpeza (imersão em água e cloro), secagem e tingimento natural (casca de cebola, café, corante alimentício) das escamas. De volta ao DF, Sandra conduziu oficinas na sala de aula, ensinando os estudantes da unidades escolar a transformar escamas e também conchas em biojoias, despertando surpresa e curiosidade sobre esse artesanato sustentável.

“A nossa primeira peça criada na sala foi uma flor. Quando os alunos viram o resultado, amaram e não acreditaram que era escama de peixe. As pessoas de fora da escola quando viram, também apresentaram a mesma reação. Elas pegam, tocam, e ficam sempre sem acreditar, mas depois que explicamos o processo, compreendem que muita coisa pode ter uma destinação diferente da lata de lixo”, ressaltou Sandra.

A explicação sobre o processo de transformação das escamas de peixes em peças de artesanato estava na ponta da língua das estudantes Agatha Gabriela Barros, 8 anos, Anna Alyce Medeiros, 7, e Laura Victória Borges, 8, que participaram da etapa regional do circuito. A todos que se aproximavam do espaço da EC 15 de Ceilândia, elas abordavam e iniciavam um discurso para promover a consciência ambiental e demonstrar como o artesanato pode ser uma ferramenta para o desenvolvimento sustentável e a preservação dos recursos marinhos. “Aprendemos sobre sustentabilidade. E isso vai muito além de reutilizar e cuidar do planeta. Nada se perde, tudo se transforma”, afirmou a estudante Agatha Gabriela.