O Sebraelab, localizado no Parque Tecnológico de Brasília (BioTIC), recebeu na tarde da última sexta-feira, 17 de julho, a décima e mais recente edição do Impacta DF. Promovido pelo Sebrae no Distrito Federal, em parceria com a Coalizão pelo Impacto e o Instituto Sabin desde junho do ano passado, o encontro reúne periodicamente os atores do ecossistema de impacto do Distrito Federal. Desta vez, a programação foi marcada por momentos de integração entre os presentes e por debates de conceitos sobre o setor.
A programação do evento foi aberta por Nayana Cambraia, gestora de projetos e fundadora da Ubuntu Consultoria, uma empresa dedicada à gestão de projetos para inovação social voltados para o setor da saúde. Ela assumiu a missão de proporcionar uma imersão conceitual sobre o que define, na prática, um negócio de impacto.
Nayana explicou que o conceito de negócio de impacto se consolidou no Brasil a partir de 2014, ganhando força internacional à medida que empresas perceberam que os danos ambientais e sociais que causavam prejudicavam os próprios lucros — revelando que resolver problemas coletivos não era só uma questão ética, mas uma estratégia de sobrevivência econômica. “Isso prova que integrar a missão social ao DNA da operação não é apenas um gesto de bondade, mas uma inteligência de mercado necessária para a sustentabilidade econômica”, afirmou.

A gestora também abordou os desafios de financiamento, explicando que, para negócios que nascem do incômodo com problemas sociais, o acesso ao capital inicial costuma ser mais restrito, muitas vezes dependendo da filantropia estratégica antes de alcançar fundos patrimoniais ou microcréditos. Ela ilustrou a aplicação desses conceitos com o caso da Ecociclo, uma empresa que descentraliza sua produção para gerar renda em comunidades, provando que é possível estruturar cadeias produtivas limpas e rentáveis.
Após conduzir as reflexões, Nayana envolveu o público presente no Sebraelab em um jogo de tabuleiro, momento em que os participantes, divididos em mesas, se engajaram em uma simulação prática da gestão de negócios de impacto socioambiental, tomando decisões estratégicas em conjunto.

A dinâmica do jogo não apenas incentivou o trabalho em equipe, mas também destacou a importância do equilíbrio entre receita, impacto e governança.
Ao longo de 30 minutos de intensa interação, os grupos enfrentaram desafios reais frequentemente encontrados por negócios de impacto, refletindo sobre como gerar mudanças sociais e ambientais significativas. O encerramento, que incluiu uma apresentação das conclusões de cada mesa, reforçou a ideia de que o sucesso de um negócio vai além do lucro, sendo fundamental demonstrar o impacto positivo na sociedade e no meio ambiente.
A analista da Gerência de Negócios em Rede do Sebrae no DF e gestora responsável pelo Sebraelab, Isabela Patrocínio, comentou sobre a estratégia de desmistificar conceitos sobre o setor de impacto. Ela ressaltou que a organização tem implementado inovações contínuas, priorizando o nivelamento de conhecimento diante de um público cada vez mais rotativo e diversificado. “Começamos a perceber há algumas edições que o público do evento está muito rotativo. Sentimos então que era preciso nivelar o conhecimento para continuar falando de impacto com propriedade. Existem algumas pegadinhas conceituais que às vezes precisamos parar para esclarecer, garantindo que todos falem a mesma língua”, explicou Isabela.
“Nossa meta é aproximar o ecossistema, fortalecê-lo e impulsionar sua maturidade, para que todos tenham uma compreensão clara e consistente sobre o que, de fato, caracteriza um negócio de impacto”, acrescentou.

Isabela também revelou que, para as próximas edições do Impacta DF, a intenção da organização é promover discussões setoriais tornando os debates mais concretos e mostrando, na prática, como um negócio inclusivo e responsável pode transformar um território em todas as suas dimensões.
Também presente ao evento, a coordenadora da Coalizão Pelo Impacto no DF, Dani Estevam, comentou sobre o potencial de Brasília para se tornar um centro de excelência para o desenvolvimento de negócios de impacto e destacou a realização do encontro no Sebraelab como um espaço de pertencimento para a comunidade local, essencial para o ecossistema.
“Este espaço é de vocês e está aqui para que a gente possa, cada vez mais, ir crescendo e expandindo essa comunidade. Nosso movimento é para impulsionar negócios por meio de um ecossistema, articulando esforços para que as instituições possam trazer essa lente de impacto para o centro de suas iniciativas”, concluiu.

A programação do Impacta DF contou, ainda, com o retorno das sessões de pitches, momento em que os empreendedores puderam ampliar a visibilidade de seus negócios e projetos, detalhando atuações e as soluções que oferecem.
Além disso, os participantes do evento acompanharam apresentações de oportunidades, como a Jornada TransformAção, um programa gratuito do Instituto Sabin para capacitar e acelerar negócios de impacto social e ambiental em estágio inicial.

O programa oferece capacitação online, mentorias e R$ 30 mil em capital semente para os projetos com melhor desempenho. As inscrições ficam abertas até o próximo dia 27 de julho.
Outras apresentações foram feitas por representantes do Bate-papo Terceiro Setor, movimento que visa capacitar agentes sociais, líderes comunitários e voluntários com foco em empreendedorismo e impacto social, e da Trilha de Impacto, metodologia estruturada pelo Impact Hub para mapear, impulsionar e fortalecer o ecossistema de empreendedorismo socioambiental.

