A 14ª edição do Circuito de Ciências do Distrito Federal chegou a Planaltina reunindo estudantes da rede pública em uma jornada de experimentação, inovação e descobertas. Realizado pela Secretaria de Educação do DF (SEEDF), o evento contou com o apoio do Sebrae no Distrito Federal e trouxe como tema central de 2025 a provocação “Água, pra quê?”, convidando alunos e professores a refletirem sobre o uso consciente, os desafios e os significados da água na sociedade.
No Centro de Ensino Fundamental 3 (CEF 3), sede da etapa, foram apresentados 24 projetos científicos de cinco escolas expositoras, além de dezenas de visitantes, somando uma expectativa de cerca de 2 mil alunos circulando pelo espaço. Para Tiago Félix Marques, coordenador regional do Circuito em Planaltina, o evento é muito mais que uma mostra de trabalhos. É um espaço de formação cidadã.
“O tema tem uma proposta interdisciplinar. Aqui não vemos apenas ciências naturais, mas também sociais e de outras áreas do conhecimento. O objetivo é estimular não só o pensamento científico, mas também o pensamento crítico, conectando teoria e prática para que os estudantes possam buscar soluções para problemas reais”, explicou.

Ele lembra ainda que o processo de preparação ensina lições importantes. “Os alunos aprendem a trabalhar em equipe, a registrar cada etapa no diário de bordo e a lidar com os imprevistos de uma pesquisa. Quando algo não dá certo, eles precisam se reunir, repensar e buscar novos caminhos. Isso fortalece ainda mais o aprendizado”, acrescentou Tiago.
No evento, o Sebrae no DF também marcou presença com um estande interativo, oferecendo oficinas maker com uso de canetas 3D, jogos educativos e atividades voltadas ao tema “Água pra quê?”. A proposta foi aproximar os estudantes da tecnologia e estimular a criatividade a partir de experiências práticas, conectando ciência, educação e empreendedorismo.
De acordo com Ana Emília Andrade, gestora do projeto Educação Empreendedora do Sebrae no DF, a iniciativa está alinhada à missão da instituição.
“Estar presente no Circuito de Ciências é uma forma de aproximar a ciência do empreendedorismo. Queremos mostrar aos estudantes que ideias inovadoras podem se transformar em soluções reais para os desafios do mundo. A educação empreendedora é um caminho para estimular a criatividade, a visão crítica e a sustentabilidade. Quando unimos professores, alunos e experiências práticas, criamos oportunidades que vão muito além da sala de aula e preparam essas novas gerações para transformar o futuro”, ponderou a gestora.
Entre os projetos apresentados durante a etapa regional, estava a pesquisa dos alunos do 1º ano do Ensino Médio do Centro Educacional Várzeas, localizado no núcleo rural de Tabatinga. Intitulado Despoluição do Lago Paranoá e Tecnologia Nereda, o trabalho investigou como a tecnologia holandesa de lodo granulado aeróbio (LGA) poderia ser aplicada para melhorar a qualidade da água do Lago Paranoá.

A estudante Sarah da Silva, uma das integrantes do grupo, explicou que a hipótese levantada durante a pesquisa é de que a tecnologia holandesa poderia permitir o tratamento biológico da água, removendo nitrogênio e fósforo em um único reator, sem uso de produtos químicos. “Isso facilitaria a decantação e ajudaria na clarificação, contribuindo para a despoluição do Lago Paranoá”, afirmou. Segundo ela, a possibilidade de ver uma proposta criada em sala de aula sendo pensada como solução real deixou a equipe ainda mais motivada. “Foi empolgante perceber que um projeto que começou pequeno, a partir de vídeos e pesquisas online, poderia ter um impacto prático tão grande. Isso fez a gente acreditar ainda mais na ciência e na nossa capacidade de criar algo relevante”, completou.
A professora de sociologia Ana Maria Sousa, orientadora do grupo, conta que a ideia surgiu de forma inusitada. “Eles viram vídeos no TikTok sobre a tecnologia Nereda e decidiram aprofundar a pesquisa, usando até ferramentas de inteligência artificial para simular cálculos que não conseguiríamos fazer presencialmente, por falta de orçamento. A conclusão foi de que é possível, sim, pensar na implementação dessa tecnologia no Lago Paranoá”, explicou ao ponderar que a empolgação dos estudantes foi além da teoria. “Eles chegaram a pensar em procurar a companhia de saneamento para apresentar os resultados. Mesmo sem recursos para a pesquisa de campo, o engajamento foi enorme”, completou.
Para Flávio Dias Amaral, coordenador regional de ensino de Planaltina, o Circuito de Ciências fortalece a rede pública e dá visibilidade ao potencial dos alunos e professores.
“O CEF 3 tem feito um trabalho espetacular. Planaltina hoje figura entre as melhores regionais do DF, e isso é fruto do empenho de cada escola, de cada educador e de cada estudante envolvido. O Circuito de Ciências mostra que os nossos alunos têm capacidade de propor soluções reais para problemas que impactam a vida de todos nós. Além de valorizar a prática pedagógica, o evento também incentiva o protagonismo estudantil e mostra à comunidade que a escola pública é espaço de inovação e transformação social”, destacou.
Outras etapas
As fases do 14º Circuito de Ciências das Escolas Públicas do Distrito Federal já têm seu cronograma definido, com etapas que valorizam a participação e a seleção de trabalhos científicos de destaque. O cronograma completo está disponível no portal oficial da iniciativa: www.circuitocienciasedf.com.br.
Os trabalhos selecionados nessa fase avançam para a etapa regional, que acontece de agosto a outubro. Esta fase também será presencial e acontecerá nas 14 Coordenações Regionais de Ensino, selecionando os projetos que seguirão para a etapa distrital, prevista para ser realizada no mês de novembro.
O ponto alto do circuito, o evento de premiação, está previsto para dezembro, ocorrendo no mesmo espaço da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, o principal evento de divulgação científica do Brasil. O evento é realizado, há 21 anos, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e conta com atividades do Norte ao Sul do país.
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