Foi realizada na última quinta-feira, 4 de setembro, a etapa regional do Guará do 14ª edição do Circuito de Ciências das Escolas Públicas do Distrito Federal O evento ocorreu nas instalações da escola técnica da região administrativa e foi palco para apresentações de projetos científicos desenvolvidos por estudantes e professores da rede pública de ensino da capital federal. Organizado pela Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF), com o apoio do Sebrae no DF, a iniciativa visa fomentar a produção e divulgação científica, tecnológica, empreendedora e cultural na comunidade escolar.
O Circuito de Ciências deste ano estimula a pesquisa e a criatividade estudantil na rede pública do DF, focando na preservação hídrica. Para isso, os estudantes da rede pública do DF foram incentivados a desenvolver projetos alinhados ao tema “Água para quê?”, que por sua vez está em consonância com a 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), cujo foco será “Planeta Água: Cultura oceânica para enfrentar as mudanças climáticas no meu território”. A SNCT é o principal evento de divulgação científica do Brasil. O evento é realizado, há 21 anos, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e conta com atividades do Norte ao Sul do país.

Entre os destaques, um grupo de alunos do Centro de Ensino Fundamental 03 (CEF 03) da Cidade Estrutural apresentou um projeto para denunciar a realidade do antigo lixão da região, que ainda preocupa moradores do Setor Santa Luzia, comunidade da Cidade Estrutural. O estudante Bruno Gabriel do Nascimento, de dez anos, contou que a vivência próxima à área foi determinante para a pesquisa. “É muito ruim morar lá por causa do cheiro. Quem não mora perto acha que é ‘só um lixo’, que não faz mal. Mas nós, que vivemos ali, sabemos o que acontece de verdade. Já houve desabamento e, se o chorume chegar ao lençol freático, acabou com a água que a gente bebe, toma banho e usa no dia a dia”, alertou.
A professora Evelyn Figueiredo, responsável pela turma, explicou que os alunos foram motivados pelas próprias observações diárias. “Eles moram em Santa Luzia, em frente ao lixão, e relataram caminhões entrando, explosões e incêndios constantes. A partir disso, relacionamos o tema com o estudo do ciclo da água e descobrimos pesquisas da Universidade de Brasília (UnB) que comprovam os riscos de contaminação da Floresta Nacional de Brasília (Flona), área responsável pela sobrevivência das nascentes que irrigam o reservatório do do Descoberto, responsável por uma grande parcela do abastecimento de água do Distrito Federal”, detalhou.

Para sensibilizar autoridades, os estudantes escreveram uma carta a um deputado pedindo providências, mas ainda não obtiveram respostas. O objetivo, agora, é fazer com que o projeto ganhe ainda mais força e possa ser divulgado a partir do Circuito de Ciências. ‘‘Para nós é um momento muito importante pois o projeto ganha forças aqui na feira. Quem sabe podemos ter um destaque e conseguir alguma vaga na etapa nacional?! Sei que o nosso trabalho tem um diferencial e as nossas vidas, das nossas famílias importa muito’’, complementou o jovem Bruno, que além de residir próximo ao lixão, vem de uma família de catadores e entende a importância da reciclagem para o futuro das gerações.
Outro projeto de impacto foi o desenvolvido no Centro de Ensino Fundamental 08 do Guará, que busca ampliar a presença de meninas na ciência e na tecnologia. A professora formadora Gleis Queiroz, do Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE), contou que o programa selecionou 11 alunas para participar de atividades semanais, incluindo robótica, programação e educação financeira. “Este é o quinto ano da iniciativa no Guará e, graças ao financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), conseguimos oferecer bolsas e melhor estrutura para manter a participação das meninas. Nosso objetivo é despertar o interesse delas por áreas de exatas e consolidar esse protagonismo no futuro”, explicou a educadora.
Para Amanda Costa, de 13 anos, a experiência tem reforçado sua vontade de seguir carreira na biologia. “Esse projeto tem sido muito importante porque mostra que meninas e mulheres também têm espaço na ciência. Antes eu era mais tímida, mas agora consigo participar muito mais e isso tem feito diferença”, contou.
Na feira, as alunas apresentaram um experimento utilizando a placa Makey Makey, conectada a um jogo desenvolvido na plataforma de programação em blocos Scratch. A proposta foi transformar objetos físicos em comandos virtuais: copos com líquidos coloridos foram usados como teclas, de modo que, ao tocá-los, os visitantes geravam vibrações que interagiam diretamente com o jogo projetado na tela. A experiência chamou atenção por mostrar, de forma lúdica e criativa, como a programação pode ultrapassar os limites do digital e ganhar vida no mundo real.

A coordenadora da Regional de Ensino do Guará, Karine Rodrigues, destacou que a edição contou com 24 escolas, além da participação de todas as escolas ligadas à regional como visitantes. “Todos os anos conseguimos classificar trabalhos para a etapa distrital. São projetos que nascem da iniciativa de professores e estudantes, e ter a Escola Técnica como sede garante acessibilidade, estrutura e condições para um evento mais organizado e participativo”, afirmou.
O Sebrae no Distrito Federal marcou presença na etapa regional do circuito com atraindo os estudantes para um espaço totalmente interativo, oferecendo oficina maker, jogos educativos e atividades voltadas à educação empreendedora. Para Ana Emília, coordenadora e gestora do projeto de Educação Empreendedora da instituição, a participação reforça o papel da instituição em iniciativas que aproximam ciência, inovação e protagonismo estudantil.
“O Sebrae acredita no potencial transformador da educação empreendedora e, por isso, participa de todas as etapas do Circuito de Ciências. Queremos que os estudantes, desde cedo, tenham contato com práticas que unem criatividade, experimentação e visão de futuro, preparando-os para transformar ideias em soluções reais para a sociedade”, observou Ana.

