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Etapa regional do Circuito de Ciências do Paranoá destaca soluções para desafios ambientais

Realização contou com a apresentação de 33 projetos relacionados ao tema “Água pra quê?”
Por Clip Clap Comunicação
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As instalações da recém-inaugurada Escola Técnica Leste Sérgio Damaceno, no Paranoá, receberam na última quinta-feira, 11 de setembro, as atividades de mais uma etapa regional da 14ª edição do Circuito de Ciências das Escolas Públicas do Distrito Federal. A iniciativa, organizada pela Secretaria de Estado de Educação do DF (SEEDF), contou, pelo terceiro ano consecutivo, com o apoio do Sebrae no DF, fundamental para a mobilização da comunidade escolar e o incentivo à produção e divulgação científica, tecnológica, empreendedora e cultural.

A etapa regional contou não apenas com escolas da região do Paranoá, mas também do Itapoã, localidade próxima e atraiu grande interesse da comunidade, reunindo aproximadamente três mil visitantes para prestigiar um total de 33 projetos que estavam sendo apresentado. O evento contou com a participação ativa de cerca de 150 estudantes expositores, que tiveram seus trabalhos orientados por uma equipe de aproximadamente 70 professores.

Raquel Vila Nova Lins, gerente de programas e projetos transversais da Subsecretaria de Educação Básica da Secretaria de Educação do Distrito Federal, prestigiou a realização do evento e observou que, mesmo após um período de greve, o alto engajamento dos estudantes e professores foi altamente satisfatório. Segundo ela, os projetos apresentados demonstram uma estrutura sólida e alinhamento com a temática proposta, explorando soluções inovadoras que transcendem o convencional. “Os estudantes não ficaram presos ao óbvio, restritos apenas a falar da correta utilização, do reaproveitamento da água. Eles usaram alternativas diversas, como robótica para mostrar a relevância do tema proposto e ajudar a solucionar problemas que estão presentes no dia a dia de comunidades da região”, comentou a gestora.

Foto: Focus Produção de Imagem

Dilson Bulhões, administrador regional do Paranoá, também acompanhou de perto a realização da etapa na escola técnica e ressaltou a relevância do Circuito de Ciências para despertar o interesse dos estudantes da região pelo campo ambiental e outras áreas do conhecimento, como a robótica. “A realização dessa atividade estimula o modo de pensar dos jovens de nossas escolas. Esse interesse provocado dará resultado daqui alguns anos. Certamente daqui sairão cientistas, pesquisadores e centenas de outros profissionais que farão da nossa cidade e do nosso país um lugar ainda melhor”, pontuou.

Um dos projetos de maior impacto na preservação dos recursos hídricos, apresentado na etapa regional do Circuito de Ciências do Paranoá, foi desenvolvido por estudantes das Salas de Altas Habilidades/Superdotação do Paranoá e Itapoã. Com a mentoria de professores e o apoio de alunos de Engenharia de Mecatrônica da Universidade de Brasília (UnB), a iniciativa visou criar um protótipo de baixo custo para monitorar a qualidade da água no Distrito Federal, utilizando placas de Arduino – uma plataforma de hardware e software de código aberto que permite criar projetos eletrônicos e interativos – e sensores específicos.

O projeto, batizado de “Zeólitos”, surgiu da inquietação sobre como tornar o monitoramento da água mais acessível à população. A ideia central é desenvolver um veículo autônomo capaz de coletar e analisar dados de potabilidade, como o Potencial Hidrogeniônico (pH) e o Total Dissolved Solids (TDS), enquanto navega por áreas de captação. As informações seriam então transmitidas para um aplicativo, permitindo que a comunidade acompanhe a qualidade da água e identifique possíveis contaminações, podendo alertar os órgãos competentes. A equipe já realizou testes com circuitos elétricos, placas e sensores, demonstrando a viabilidade do protótipo. Em sua forma final, a solução consistirá em um tubo cilíndrico hermético e transparente, abrigando toda a estrutura eletrônica. A expectativa é que, com um custo de aproximadamente R$ 300 por protótipo, a solução possa empoderar a população na fiscalização da água, contrastando com os altos gastos anuais com monitoramento atualmente.

Foto: Focus Produção de Imagem

Filipe Rodrigues e Emily Vitória Moraes estão entre as mentes por trás da proposta. A principal motivação para o desenvolvimento do projeto, como eles próprios relataram, foi a carência de informações atualizadas para a população. Durante o processo, os jovens fizeram uma descoberta importante: “O principal aprendizado que a gente teve foi o fato de que os materiais para fazer um protótipo desses são perfeitamente acessíveis, só que o conhecimento para fazê-los não. O problema é a expertise necessária para você programar e para você confeccionar o protótipo e colocar ele para funcionar intermitentemente”, observou Filipe.

Com grandes expectativas para as próximas etapas, Filipe e Emily compartilham o desejo de impactar positivamente a comunidade. “A possibilidade de ajudar tanto a população da minha região, quanto do Brasil todo, já é muito importante. A gente está trazendo uma nova possibilidade para a população, tanto quanto informações, quanto a acessibilidade que o nosso protótipo vai trazer”, completou Emily.

Os estudantes foram orientados pela professora Lucimar Moreira ao lonfos dos últimos meses. Ela ressalta que a maior dificuldade foi o design do protótipo, mas o principal aprendizado reside na capacidade de construir alguma coisa que vá beneficiar a população de alguma maneira, a partir de materiais mais simples, mais baratos.

Além disso, ela reitera que a iniciativa tem o propósito de causar impacto social e ambiental. Para isso, o cronograma das ações prevê, em etapas futuras, a motorização do protótipo e a criação de um aplicativo. Essa ferramenta permitirá à população acessar os dados de monitoramento de forma simplificada, além de possibilitar que a própria comunidade colabore com informações sobre a qualidade da água em áreas específicas. Segundo Lucimar, essa solução de baixo custo não só empoderará os cidadãos na fiscalização dos recursos hídricos, mas também agilizará a comunicação com os órgãos oficiais em caso de contaminação, transformando o monitoramento da água em um esforço colaborativo e eficiente.

Outra proposta apresentada na etapa regional do Paranoá contou com o empenho de estudantes do 2º ano do Ensino Médio do Centro Educacional 01 do Itapoã e investigou como plantas podem melhorar o conforto térmico em ambientes fechados durante o período de estiagem no Distrito Federal.

A motivação para o projeto nasceu da observação de um desafio recorrente no Cerrado, bioma conhecido pela seca extrema e pela baixa umidade do ar. “A cada ano que passa, percebemos que as secas estão ficando cada vez mais extremas aqui no Cerrado, principalmente por causa da falta de vegetação. As queimadas frequentes impedem que a natureza se recupere no mesmo nível que antes, e o desmatamento em larga escala só agrava o problema”, explicou a professora orientadora do projeto, Tábata Alves.

Foto: Focus Produção de Imagem

“Aqui no Paranoá, por exemplo, há uma área onde as árvores foram cortadas recentemente e isso está afetando significativamente o bem-estar geral e impactando diretamente a rotina escolar dos estudantes”, acrescentou a educadora.

Durante a pesquisa, os estudantes, orientados por professores, fizeram descobertas significativas e constataram que cada planta possui a capacidade de liberar sua própria umidade, contribuindo para o aumento da umidade relativa do ar. Além disso, observaram que ambientes com maior quantidade de plantas apresentam umidade mais elevada e temperaturas mais estáveis e amenas, criando um clima mais agradável. Entre as espécies estudadas, a samambaia destacou-se como a mais eficaz na umidificação de ambientes

“O nosso objetivo foi de aumentar as plantas em nossa escola. E incentivar que mais estudantes fizessem o mesmo para assim melhorar o índice de umidade e fazer do ambiente, mais agradável nesse período de seca”, comentou Andrielly Bertunes, uma das estudantes engajadas na iniciativa.

A equipe de estudantes, agora, mira alcançar uma visibilidade cada vez maior com o projeto. Para eles, estar etapas mais avançadas do circuito de ciências e outras ações é fundamental para expandir a conscientização sobre a importância das plantas para a umidade no DF. “Queremos ter uma visibilidade maior para que esse projeto consiga estimular que as pessoas consigam ter mais plantas em casa e também incentivar estudantes de outras escolas a fazerem o mesmo”, acrescentou a estudante Raquel Barbosa.

Para as estudantes, a iniciativa vai além da ciência, sendo capaz de impactar positivamente a vida de todos. “A gente quer um ambiente mais agradável, a gente passa a maior parte na escola e a gente quer um ambiente mais agradável, mais confortável”, concluiu Andrielly.

Sobre o circuito

A edição deste ano do circuito teve como proposta incentivar a pesquisa, a criatividade e o protagonismo estudantil, além de promover um debate essencial sobre a preservação dos recursos hídricos. Para isso, os estudantes da rede pública do DF foram incentivados a desenvolver projetos alinhados ao tema “Água para quê?”, que por sua vez está em consonância com a 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), cujo foco será “Planeta Água: Cultura oceânica para enfrentar as mudanças climáticas no meu território”.

A SNCT é realizada há 21 anos pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e conta com atividades do Norte ao Sul do país.

Para mais informações, acesse o site circuitocienciasedf.com.br.