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Sebrae apoia a realização de fórum regional voltado à saúde mental de orientadores educacionais

Atividade reuniu profissionais das Coordenações Regionais de Ensino de Brazlândia, Ceilândia, Samambaia e Taguatinga
Por José Maciel | Clip Clap Comunicação
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Pense em uma escola como uma cidade, onde milhares de pessoas circulam diariamente carregando dúvidas, incertezas e objetivos distintos. Há ainda aqueles cidadãos que caminham em silêncio, procurando por um lugar que ainda não sabem nomear. Em meio a essa cidade, existe um profissional que não dá aula, muito menos assina matrículas ou desempenha funções similares, mas é tão essencial para o dia a dia de uma escola e sem o qual muitos estudantes e até famílias se perderiam no caminho. Assim pode ser definida a função do orientador educacional, profissional responsável por acompanhar o desenvolvimento pessoal, social e emocional dos alunos, promovendo uma formação cidadã e um ambiente escolar saudável.

Foi para este público em específico que o Centro Universitário e Faculdade Projeção (UniProjeção) abriu suas portas na manhã da última sexta-feira, 28 de agosto. Na ocasião, o campus I da instituição de ensino, em Taguatinga Norte, foi palco para a realização do IX Fórum Regional de Orientação Educacional, encontro que reuniu, com apoio do Sebrae no Distrito Federal, profissionais das Coordenações Regionais de Ensino (CREs) de Brazlândia, Ceilândia, Samambaia e Taguatinga, e apresentou uma programação a partir do tema “Saúde Mental: cuidar da mente é cuidar da vida”. Desse modo, os organizadores buscaram proporcionar momentos voltados ao bem-estar e ao autocuidado dos orientadores, à preservação da saúde mental e à importância de humanizar a rotina desses profissionais.

Um dos pontos altos do evento foi uma palestra dedicada ao cuidado pessoal como forma de proteger o equilíbrio emocional dos orientadores, que abordou pilares como pílulas de autocuidado, frequência energética, o poder das palavras, alimentação, atividade física, inteligência emocional e meditação.

A coordenadora intermediária da Orientação Educacional da CRE de Taguatinga, Sandra do Couto Ribeiro, foi uma das responsáveis pela realização do fórum e relatou que boa parte das demandas da escola acaba recaindo sobre o orientador educacional, responsável por mediar praticamente todos os problemas que surgem no ambiente escolar. Ela destacou ainda que esse acúmulo de funções tem gerado um quadro de adoecimento entre os profissionais, ainda mais em unidades escolares com um alto volume de estudantes. Segundo ela, há escolas em Taguatinga que reúnem quase 2 mil alunos, todos com realidades diferentes, o que torna a rotina do orientador ainda mais desafiadora.

“Se aparece algum problema com qualquer estudante na escola, na maioria das vezes pedem que chamem o orientador. E com esse acúmulo de trabalho, nós percebemos que ocorrem quadros de adoecimento, porque muitas vezes o orientador fica de mãos e pés atados. Então o orientador realmente precisa desse momento dedicado a ele”, comentou Sandra.

A educadora ainda salientou que o fórum não é uma ação isolada e pontuou que cada regional de ensino do DF dispõe de momentos especiais, como os encontros semanais de articulação pedagógica, ocasiões em que os orientadores se reúnem com os pares para repassar informes, participar de formações e trocar experiências. “O bem-estar físico e mental é um assunto de grande responsabilidade e necessário para todos nós”, acrescentou Sandra.

Outra profissional a participar da organização e realização do fórum foi Gabriela Leão, que atua como coordenadora intermediária dos Orientadores Educacionais da CRE de Brazlândia. Ao destacar o retrato de sua regional, que reúne 33 escolas entre zona rural e urbana e conta atualmente com apenas 29 orientadores, ela também comentou sobre o agravamento de quadros de adoecimento de orientadores, além de estudantes e professores, principalmente no período pós-pandemia. “Esse momento pós-pandemia mudou todo o cenário; temos atendido muitos alunos adoecidos, famílias adoecidas também. Então é importante ter esse olhar para o orientador, porque nós já percebemos esse adoecimento na categoria. Muitos já estão em atestado médico”, afirmou.

Por conta desse infeliz cenário, Gabriela falou acerca dos motivos que levaram à realização do fórum e reforçou a necessidade de olhar para quem cuida dos alunos no dia a dia das escolas. “Essa preocupação com o orientador educacional é essencial. É um profissional que está na linha de frente dentro das escolas”, pontuou a coordenadora.

Elinéia Soares, coordenadora intermediária de orientadores da CRE de Samambaia, também esteve à frente da organização do evento. Responsável por uma rede que abrange 43 escolas, além de um expressivo número de creches, ela destacou a importância de momentos de integração para fortalecer a saúde mental dos profissionais que atuam na ponta. “Quem cuida, também precisa se cuidar. A nossa intenção com esse momento foi de transmitir uma mensagem para que cada orientador pense em si, se cuidando mais para poder desenvolver um bom trabalho na escola”, ressaltou.

A profissional também abordou a existência de uma demanda crescente por apoio emocional nas unidades de ensino e enfatizou que o fortalecimento da categoria é o que permite oferecer o amparo necessário à comunidade escolar. “Os orientadores estão com uma demanda muito grande da saúde mental, e nosso dever oferecer esse suporte a eles”, explicou Elinéia.

A gestora concluiu destacando que o apoio do Sebrae foi imprescindível para elevar o nível do encontro.

Com quase 30 anos dedicados à educação no Distrito Federal, boa parte deles orientando estudantes brasilienses, a representante da Gerência de Orientação Educacional (GOI) da Secretaria de Estado de Educação do DF, Norma D’Albuquerque Augusto, foi outra profissional que acompanhou a realização do fórum e elogiou o tema escolhido para guiar a programação da iniciativa.

“Trabalhar a questão da saúde mental é muito importante, porque o mundo está adoecido. São muitas as preocupações, os afazeres. O corre-corre do dia a dia nos deixa imersos em obrigações e responsabilidades, e muitos acabam esquecendo de fazer algo pela saúde física e mental. E não é porque somos orientadores que não adoecemos também. Então, acho que o tema desse fórum é muito significativo nesse momento que estamos vivendo, de tantas incertezas e inseguranças”, concluiu Norma.

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