A 14ª edição do Circuito de Ciências do Distrito Federal chegou à Regional de Ensino do Gama reunindo 42 projetos científicos, apresentados por aproximadamente 25 escolas da rede pública. Foram mais de 300 estudantes expositores distribuídos nos estandes espalhados pelo espaço no dia 12 de setembro. O público ultrapassou 1.500 visitantes ao longo do evento.
O Circuito de Ciências é uma ação pedagógica da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) que promove a criação e exposição de projetos científicos por alunos e professores da rede. Realizado em etapas regionais classificatórias, seleciona os melhores trabalhos para a fase distrital, que ocorrerá entre 20 e 26 de outubro durante a 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

Dalvani Zimmermann, coordenador da Regional de Ensino do Gama, explicou que o evento foi realizado na própria sede da regional devido à estrutura física disponível. “Nossa estrutura conta com cerca de 100 servidores distribuídos em diferentes unidades. Essa organização nos permite receber os estudantes aqui, em um espaço adequado e com boa logística. Em relação às parcerias, o circuito é uma ação institucional, mas conta com apoio fundamental de instituições como a Caesb e o Sebrae no DF. O Sebrae, em especial, é um parceiro de longa data, sempre trazendo atividades diferenciadas, com foco em empreendedorismo, e que geram engajamento dos estudantes’’, ponderou.
O Sebrae no Distrito Federal manteve um estande durante todo o circuito, oferecendo oficinas maker, jogos de memória e outras atividades interativas voltadas ao estímulo de competências empreendedoras nos jovens.

Um dos projetos apresentados, desenvolvido no Centro de Ensino Fundamental 15 do Gama, partiu de uma pesquisa sobre a relação entre hidratação e aprendizagem. Orientados pela professora de língua portuguesa Vilma da Silva, os alunos do 6º ano aplicaram questionários a toda a comunidade escolar, envolvendo cerca de 500 pessoas entre estudantes, professores e servidores. O resultado revelou que a falta de ingestão de água estava relacionada a dores de cabeça e dificuldades de concentração em sala de aula.
Com apoio da professora de ciências Roseli Menezes, os estudantes criaram uma maquete que mostra como a água percorre o corpo humano e influencia no bem-estar e no desempenho escolar. “Eles compreenderam que a desidratação não afeta apenas a saúde física, mas também a capacidade de aprender. Foi um exercício de ciência conectada ao cotidiano”, explicou Roseli.
O estudante João Victor Rodrigues, do 6º ano, disse ter mudado seus hábitos após a experiência. “Descobrimos que muitos colegas não bebem água durante o dia. Agora eu levo sempre minha garrafinha, porque percebi que a água ajuda até a aprender melhor”, ponderou.
Outro destaque do CEF 15 foi a ‘‘fazenda modelo ecologicamente sustentável”, uma maquete que integra captação, armazenamento e uso eficiente da água da chuva para o plantio. O projeto foi idealizado pelo professor de Matemática Alexandre Pierin, com colaboração do artista plástico e maqueteiro Sebastião José.
“Partimos do insight de que a água da chuva é melhor para o desenvolvimento de plantas do que a água tratada. A maquete mostra infiltração em lençóis freáticos, represamento em barrancos, um moinho que movimenta um córrego artificial e um sistema de filtragem natural – carvão, musgos e areia – antes da irrigação. Discutimos também a estiagem típica do DF e soluções de armazenamento em tonéis e caixas d’água vedadas’’, ponderou o professor Alexandre.
Ainda segundo ele, a proposta vai além do protótipo. São soluções reais de manejo hídrico que dialogam com sustentabilidade e conteúdo de ciências. A aluna Emanuelle do Nascimento, do 9º ano, ressaltou o aprendizado prático. “Ver os filtros funcionando e o gotejamento economizando cada gota mostrou como pequenas mudanças fazem diferença. A gente entende melhor a ciência quando coloca a mão na massa”, disse.
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) também marcou presença com um trabalho da modalidade EJA Interventiva – educação personalizada e inclusiva voltada a estudantes com deficiência intelectual e Transtorno do Espectro Autista (TEA). No Centro de Ensino Fundamental 4, a turma desenvolveu um percurso sobre o ciclo da água, combinando experimentos práticos, como evaporação, condensação e precipitação, com cartazes, maquetes e um mural educativo.

Mais do que compreender o conteúdo, os alunos puderam vivenciar o aprendizado de forma acessível e significativa, o que se refletiu no entusiasmo com que apresentaram o trabalho durante o circuito. “A visualização concreta ajudou muito na fixação dos conteúdos, inclusive para estudantes com deficiência intelectual e TEA”, explicou a professora Maria Corrêa Inês da Silva.
Já a professora Silvania Santos destacou que a experiência foi além da sala de aula. “Os alunos se mostraram empolgados em compartilhar o que aprenderam. Refletiram sobre o uso consciente da água e transmitiram essa mensagem ao público, mostrando que, com apoio e estímulo, são plenamente capazes de produzir ciência e contribuir para a comunidade escolar”, afirmou.
Próximos passos
O Circuito de Ciências segue agora para sua fase distrital, que reunirá os melhores trabalhos das 14 regionais de ensino do DF. A culminância acontecerá dentro da 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, entre 20 e 26 de outubro de 2025.
Para o Sebrae no DF, parceiro presente em todas as edições do circuito, a iniciativa é um espaço privilegiado para estimular a criatividade e o protagonismo estudantil. Ana Emília, gerente da unidade de educação e inovação do Sebrae no DF, destacou o papel da instituição. “O Sebrae acredita na força do conhecimento aplicado à prática. Ao apoiar o Circuito de Ciências, contribuímos para que os jovens desenvolvam competências empreendedoras e compreendam que a ciência pode ser também um caminho de transformação social e econômica”, conclui.
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