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Casa Azul Felipe Augusto, no Riacho Fundo II, recebe início das atividades do Empreenda Mulher

Iniciativa do Sebrae no DF em parceria com a Secretaria da Mulher apoia mulheres em situação de vulnerabilidade a empreender e conquistar autonomia financeira
Por José Maciel | Clip Clap Comunicação
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A sede da Casa Azul Felipe Augusto, no Riacho Fundo II, recebeu na tarde da última quarta-feira, 26 de agosto, o primeiro encontro da nova trilha de capacitação do Programa Empreenda Mulher. O espaço, que funciona como centro de apoio e referência para ações sociais e de fortalecimento comunitário na região, foi escolhido para abrigar a iniciativa desenvolvida pelo Sebrae no Distrito Federal em parceria com a Secretaria de Estado da Mulher do DF.

O programa tem como objetivo difundir conhecimentos e fortalecer as dimensões comportamentais das mulheres participantes, apresentando o empreendedorismo como alternativa de geração de renda, autonomia financeira e ruptura do ciclo de dependência econômica de mulheres em situação de vulnerabilidade.

A trilha prevê seis encontros presenciais, sempre às terças-feiras, que combinam palestras e oficinas práticas. Os módulos foram desenhados para abranger desde aspectos técnicos, como gestão financeira, precificação, marketing e boas práticas na manipulação de alimentos, até competências essenciais para o desenvolvimento de negócios sustentáveis.

A analista da Assessoria de Políticas Públicas e Ecossistemas de Negócios do Sebrae no DF, Rafaela Ferreira, conduziu a abertura das atividades com uma roda de conversa entre as participantes e transmitiu uma mensagem de incentivo, na qual falou sobre o potencial transformador do empreendedorismo e explicou que o foco das instituições envolvidas no programa é romper ciclos de desmotivação no ambiente doméstico.

Foto: Focus Produção de Imagem

Segundo Rafaela, o objetivo é transformar o espaço de aprendizado em um círculo de apoio, no qual as trajetórias de vida e superação se tornam fonte de inspiração para a conquista da autonomia e da independência financeira. “Ao estar inserida em um ambiente de incentivo, reconhecer trajetórias parecidas e entender que não está sozinha, a mulher desperta uma força interior que a impulsiona a avançar. É aí que o verdadeiro impacto se inicia. Empreender, então, vai além da ideia de abrir um negócio; é um caminho para que ela possa assumir, de fato, o protagonismo de sua própria história”, afirmou.

A assistente social da Casa Azul, Renata Leal, classificou como primordial a iniciativa do Sebrae de levar capacitação técnica e incentivo ao empreendedorismo feminino para a comunidade do Riacho Fundo II e região. Segundo ela, a ação alcança um público estratégico de mães solo que, embora tenham desejo de empreender e habilidades práticas, muitas vezes se sentem perdidas sobre como estruturar um negócio de forma profissional e sustentável.

“Muitas mulheres aqui da nossa região têm vontade de empreender, mas não sabem por onde começar ou como fazer. Elas dizem: ‘eu sei fazer, mas não está dando certo’. Logo, deduzimos que falta algo para elas. Então, o Sebrae vindo até aqui é fundamental para fortalecer o empreendedorismo feminino e ainda uma forma de ajudar a comunidade a crescer”, analisou Renata.

Uma das mulheres presentes à sede da Casa Azul foi Chirlene Lopes Machado, moradora do Riacho Fundo há seis anos. Ela possui uma trajetória sólida no setor de serviços, com quase uma década de atuação na rede de fast food, onde acumulou experiência e atualmente desempenha cargo de gerência.

Paralelamente ao trabalho, ela prepara e comercializa saladas de frutas e crê que com o apoio do Sebrae no DF possa dar um novo passo em sua vida profissional, deixar de trabalhar para terceiros e criar o próprio negócio. “Tenho certeza de que esse programa será um divisor de águas. Quero aproveitar a experiência que já tenho e formalizar meu trabalho. Em vez de construir para os outros, quero seguir melhorando o meu futuro, garantindo mais qualidade de vida e autonomia financeira”, garantiu.

Foto: Focus Produção de Imagem

Joverci Alves Brandão foi outra mulher a acompanhar o início das atividades do programa. Ela tem uma longa relação com o segmento de beleza. Iniciou a carreira em 1992, na primeira turma de cabeleireiras do Senac de Ceilândia e, desde então, passou por salões em diversos locais do DF e ainda viveu uma experiência marcante como instrutora de cursos profissionalizantes no Rio de Janeiro antes de se estabelecer no Recanto das Emas, onde mora atualmente.

Aos 59 anos, Jô, como é mais conhecida, não pensa em parar de trabalhar no segmento e vê na trilha de capacitação a chance de profissionalizar sua visão de gestão. Consciente de que o talento técnico não basta sem o domínio das finanças e do planejamento estratégico, ela espera aprender a estruturar um modelo de negócio sustentável e criar uma microfranquia especializada em química capilar, nicho que identifica como carente no mercado, apostando em uma liderança de conhecimento capaz de evitar os erros do passado.

“Já tentei ter o meu próprio negócio em outros momentos. Mas, empreender apenas observando o processo é um caminho equivocado. É necessário aprofundar o conhecimento para fazer o próprio negócio acontecer. Além de gostar do que faz e entregar tudo de si, é essencial dominar a área financeira para que a empresa realmente cresça. Agora, eu estou no lugar certo e com o apoio do Sebrae a minha ideia pode sair do papel”, assegurou Jô.

A artesã Thalyssa Leite, moradora de Samambaia, também acompanhou a abertura das atividades na Casa Azul. Ela transformou uma herança familiar em uma nova profissão. Depois de herdar a máquina de costura da avó, já falecida, buscou no YouTube o conhecimento necessário sobre costura e fundou seu próprio ateliê. Porém, a artesã precisou dar uma pausa nas produções para se dedicar aos cuidados do filho pequeno, mas há algumas semanas começou a organizar a retomada da operação.

Foto: Focus Produção de Imagem

Thalyssa ficou sabendo do programa por meio de um grupo de WhatsApp voltado a mulheres que trabalham com costura e artesanato e enxergou uma possibilidade de apoio para reorganizar o ateliê. Ela crê, ainda, que com a participação nas atividades, terá a chance de vislumbrar novas oportunidades de mercado e de utilizar as ferramentas oferecidas pelo Sebrae para retomar a produção com uma estrutura de negócio profissional e competitiva.

“Acredito que esse programa do Sebrae vai abrir minha mente e trazer insights fundamentais para esse momento em que reorganizo meu trabalho. O objetivo agora é definir com clareza qual será minha peça-alvo e meu público, para que eu possa retomar a costura com foco total e voltar com tudo”, concluiu Thalyssa.

Sobre a Casa Azul

A Casa Azul Felipe Augusto é uma Organização da Sociedade Civil (OSC) fundada há mais de 36 anos e que atua no enfrentamento das desigualdades sociais no Distrito Federal. Diariamente, no contraturno escolar, a instituição atende mais de 2 mil crianças, adolescentes, jovens e famílias, por meio de ações voltadas à cultura, tecnologia, educação, formação profissional e esporte. No momento, a instituição está presente nas comunidades de Samambaia, Riacho Fundo II e São Sebastião.

O trabalho desenvolvido tem como objetivo reduzir as vulnerabilidades sociais, ampliar o acesso ao conhecimento e contribuir para a inserção de jovens e adolescentes no mercado de trabalho, especialmente por meio da modalidade aprendiz. Além disso, a instituição promove o acompanhamento familiar e amplia o acesso da comunidade a cursos profissionalizantes, fortalecendo a autonomia, a geração de renda e o desenvolvimento social.

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