Não há limites para o que uma mulher pode alcançar. Foi a partir dessa convicção que 27 mulheres celebraram na última terça-feira, 16 de junho, a conclusão da trilha de capacitação do Programa Empreenda Mulher. A ocasião ocorreu nas instalações da Casa da Mulher Brasileira, em Ceilândia, e marcou um passo decisivo para essas participantes, que agora veem no empreendedorismo uma alternativa concreta para romper ciclos de dependência econômica e conquistar sua independência.
O programa é desenvolvido pelo Sebrae no Distrito Federal em parceria com o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) da região administrativa e a Secretaria de Estado da Mulher com o intuito de difundir conhecimentos e fortalecer as dimensões comportamentais das mulheres participantes, apresentando o empreendedorismo como alternativa de geração de renda, autonomia financeira e ruptura do ciclo de dependência econômica de mulheres em situação de vulnerabilidade.
A realização da trilha consistiu na realização de encontros presenciais que combinam palestras e oficinas práticas. Os módulos foram pensados para abranger desde aspectos técnicos, como gestão financeira, precificação, marketing e boas práticas na manipulação de alimentos.
Analista da Assessoria de Políticas Públicas e Ecossistemas de Negócios do Sebrae no DF e gestora do programa, Rafaela Ferreira reforçou na abertura do evento que o Empreenda Mulher busca criar um ambiente de acolhimento, no qual o compartilhamento de histórias de superação é o combustível necessário para quebrar barreiras emocionais e transformar a perspectiva de mulheres de diferentes realidades.

“Nosso objetivo aqui vai muito além do ensino técnico. Queremos romper aquele ciclo de desmotivação que muitas vezes isola a mulher dentro de casa. Ao transformarmos esta sala em um círculo de apoio, percebemos que a trajetória de superação de uma se torna a força motriz da outra. Quando uma mulher entende que não está sozinha e que possui potencial, ela reúne o que é necessário para se tornar protagonista da sua própria independência financeira”, afirmou.
A diretora superintendente do Sebrae no DF, Rose Rainha, também celebrou a conclusão da trilha e destacou a força das parcerias institucionais como ferramentas essenciais para o alcance social do programa. A dirigente ainda valorizou o empenho e a coragem das participantes em buscarem uma nova trajetória, além de reforçar o papel do Sebrae como agente de transformação apto a caminhar ao lado de micro e pequenas empreendedoras.

“O Sebrae segue essa trajetória com vocês. Queremos estar de mãos dadas em cada passo dessa jornada. Sabemos que empreender não é um caminho simples, mas é plenamente possível. Só a nossa crença no potencial de vocês não basta; vocês precisam ser as primeiras a acreditar. Ao tomarem a decisão de concluir esta formação, vocês já provaram que buscam um futuro diferente para si, para suas famílias e para toda a nossa sociedade”, assegurou Rose.
O presidente da Federação das Indústrias do DF (Fibra), Jamal Jorge Bittar, também prestigiou a ocasião e, em seu discurso, celebrou a convergência de esforços entre as instituições e destacou que programas como o Empreenda Mulher são fundamentais para romper barreiras sociais impostas às mulheres.

Para Jamal, o papel de Sebrae, Fibra e outras organizações não consiste em promover atividades capazes de inventar competências, mas sim oferecer o ambiente necessário para que o potencial já existente em cada uma delas venha à tona. “Nós apenas oportunizamos o valor que já existe em cada um de vocês. O que instituições como o Sebrae, a Fibra e outras fazem aqui é despertar esse potencial que já estava em cada uma de vocês. Muitas vezes, a pessoa se torna seu próprio obstáculo ao acreditar que não é capaz. Não se pode ter medo de um gato se você já derrubou um leão. Acreditem sempre na força de vocês e não se intimidem”, comentou o dirigente.
A diretora de Promoção da Autonomia Econômica da Secretaria de Estado da Mulher do DF, Thais Araújo, também apresentou um discurso de motivação às mulheres e destacou que a pasta tem trabalhado para levar qualificação técnica para além das instalações da Casa da Mulher Brasileira, alcançando todo o Distrito Federal.

Dentro desse contexto, ela ressaltou a importância de parcerias estratégicas com instituições como o Sebrae e organizações do Sistema Fibra. “São nossos parceiros de peso que nos apoiam em tudo que é possível visando o fortalecimento profissional das mulheres do DF”, pontuou ela.
Entre as histórias que ilustram o processo de amadurecimento profissional está a de Leliana Batista da Silva, moradora do Sol Nascente. Proprietária de uma loja física de acessórios por quatro anos, ela enfrentou o fechamento do estabelecimento no início deste ano e encontrou na formação ofertada pelo Sebrae no DF o suporte necessário para planejar o retorno ao mercado.
Para a empreendedora, o conteúdo sobre precificação e valorização de mercadorias confirmou que o caminho que ela percorria estava correto, funcionando como o combustível necessário para o recomeço. “Aqui eu percebi que é sim possível reabrir a loja, voltar a atuar e seguir em frente. Pensei que estava errando em algumas etapas, mas com o que aprendi durante a trilha vi que poderia ter avançado um poucos mais”, contou.

Agora, Leliana tem uma certeza. Quer continuar a participar de capacitações ofertadas pelo Sebrae e pela Casa da Mulher Brasileira, além de recomendar o programa como um caminho seguro para outras mulheres que buscam fortalecer sua independência financeira.
Outra trajetória marcada pelo resgate da autoestima e pela visão de novos negócios é a de Simone Cristina Diniz. Influenciadora digital nas plataformas Kwai e TikTok, onde já acumula cerca de 30 mil seguidores, ela encontrou no ambiente virtual um meio para superar um período de isolamento severo após enfrentar situações de violência. Para ela, o apoio da Casa da Mulher Brasileira e do Sebrae foram fundamentais para a reconstrução de sua identidade profissional e, como uma forma de retribuir, ela tem utilizado o alcance de suas redes sociais para disseminar informações sobre os serviços da rede de proteção e os cursos de qualificação, transformando sua experiência de superação em um canal de comunicação com outras mulheres em situações semelhantes. “A minha vida começou depois que eu conheci a Casa da Mulher e o Sebrae. Antes eu não via recurso nenhum para o meu futuro e hoje me sinto pronta para alcançar voos cada vez maiores”, relatou.

Além do sucesso com a criação de conteúdo, Simone planeja diversificar sua atuação com um novo projeto no setor de alimentação, que ela idealiza como um espaço de conexão e dignidade. Segundo ela, o negócio não irá funcionar apenas como uma fonte de renda, mas como um ambiente onde outras mulheres poderão se sentir seguras, respeitadas e, acima de tudo, protagonistas de suas próprias histórias.
Inspiração e conhecimento
O encontro na Casa da Mulher Brasileira de Ceilândia também proporcionou um momento de forte inspiração ao apresentar a trajetória de Raquel Aparecida.

Ex-catadora de materiais recicláveis, Raquel participou do programa Empreenda Mulher em 2024, no Riacho Fundo II e com o apoio técnico e o suporte do Sebrae, transformou sua realidade, encontrando na produção e venda de bolos no pote não apenas o sustento para seus cinco filhos, mas a oportunidade de uma verdadeira guinada em sua vida profissional.
A cerimônia de entrega dos certificados foi marcada, ainda, por um gesto especial de incentivo à leitura. A iniciativa surgiu organicamente durante a interação da gestora do programa com as participantes, que manifestaram o interesse pelo acesso a livros.
Sensibilizados pela demanda, os colaboradores do Sebrae no DF organizaram, de forma voluntária, uma campanha interna de arrecadação. O resultado foi a coleta de diversos títulos, que foram entregues às formandas como um presente, celebrando não apenas a conclusão da capacitação profissional, mas também o estímulo ao desenvolvimento pessoal e ao conhecimento, momento que comoveu a todos.

