Um grupo de dez mulheres beneficiadas pelas ações do Programa Empreenda Mulher participou na última quinta-feira, 27 de novembro, de uma feira na sede do Sebrae no Distrito Federal, localizada no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). A iniciativa teve como foco principal mostrar o trabalho das mulheres empreendedoras, dando visibilidade aos seus produtos e serviços, além de promover a troca de experiências e o contato das participantes com os colaboradores da instituição.
O programa, que tem envolvido mulheres de distintas regiões administrativas do Distrito Federal desde o ano passado, é fruto de uma parceria estratégica. Ele une o Sebrae no DF, unidades do Centro de Referência e Assistência Social (CRAS) e a Secretaria de Estado da Mulher do DF. O objetivo central é promover o empreendedorismo como uma poderosa alternativa para a geração de renda, a conquista da autonomia financeira e a ruptura do ciclo de dependência econômica de mulheres, em especial aquelas que convivem em situação de vulnerabilidade social.
Rose Rainha, superintendente do Sebrae no DF, prestigiou a realização da feira e conversou diretamente com as empreendedoras participantes. Ela destacou o compromisso da instituição em fomentar o empreendedorismo, com especial atenção aos negócios administrados por mulheres. “O Sebrae existe para apoiar o pequeno negócio e oferece capacitação, novas informações e soluções que visam melhorias contínuas desde a fase de nascimento da ideia até o amadurecimento da empresa. Com o Empreenda Mulher, a nossa atuação tem ido além. Estamos apoiando a transformação de mulheres, de lares, proporcionando dignidade”, afirmou ela.

A dirigente também comentou sobre a oportunidade de promover a feira nas instalações da instituição. “É uma chance para que todos os colaboradores não apenas comprem e consumam produtos, mas possam compreender que o trabalho deles causa um impacto significativo em pessoas de diferentes realidades”, acrescentou Rose.
Rafaela Ferreira, gestora do Empreenda Mulher e analista da Assessoria de Políticas Públicas e Ecossistema de Negócios do Sebrae no DF, também salientou o impacto do empreendedorismo. Ela pontuou que a iniciativa influenciou positivamente a rotina de diversas mulheres em regiões como Ceilândia, Candangolândia, Recanto das Emas e Riacho Fundo II. Muitas dessas participantes, que vivenciam ou já vivenciaram situações de vulnerabilidade distintas, encontraram no programa a força necessária para superar barreiras emocionais e iniciar um período de transformação em suas vidas.
“É muito satisfatório chegarmos aqui na realização dessa feira e conferir o progresso dessas mulheres. Conseguimos estender a mão para pessoas de diferentes realidades, incentivar e acompanhar um processo de mudança, vendo que elas se sentiram acolhidas e estão seguindo em frente. Fico muito feliz em ver que um trabalho feito com dedicação e empenho é capaz de promover uma grande diferença”, comentou Rafaela.
A trajetória de Paula Cristina Alves, beneficiada pelo programa em Ceilândia, exemplifica o impacto transformador do empreendedorismo. Atualmente ela está à frente da Yah Moda e Beleza, marca que criou em 2020, em meio ao período de pandemia, que trouxe uma série de desafios. Ela, no entanto, conheceu o trabalho do Sebrae na mesma época e recebeu apoio para criar a identidade visual de seu negócio e continuar participando de capacitações contínua em temas diversos. “Digo que o Sebrae foi como uma mãe na minha história de vida. Eu me senti acolhida, abraçada e isso foi muito fundamental para eu ser a empreendedora que me tornei hoje”, contou.

Além do suporte para sua ideia de negócio, a atuação do Sebrae no DF foi essencial para Paula conseguir superar o fim de um relacionamento abusivo de 11 anos. “Com o empreendedorismo eu consegui enxergar o meu valor. Percebi que não precisava ficar amarrada ao meu passado e ser minha própria provedora. Sem dúvidas, empreender foi uma das minhas melhores decisões”, complementou.
A trajetória de Zudinéia Monteiro, mais conhecida como Néia e moradora do Recanto das Emas, é outro exemplo do impacto transformador do empreendedorismo. Há dois anos, ela deixou Teresina, no Piauí, e chegou ao Distrito Federal em busca de melhores oportunidades de vida após enfrentar um período de crise financeira e desafios familiares.

Dentro de poucos meses, Néia conseguiu reunir outros membros de sua família que também optaram por deixar a capital piauiense e também conhecer melhor a capital federal e vislumbrar novas oportunidades para recomeçar. Durante uma visita a uma farmácia de alto custo para buscar uma medicação de uso controlado para o irmão, ela foi informada sobre os cursos ofertados pela Casa da Mulher Brasileira na região onde morava e consequentemente conheceu o propósito do Empreenda Mulher. “Além do conhecimento, do aprendizado, da compreensão das minhas necessidades que eu estava precisando mentalmente, foi muito maravilhoso o acolhimento do Sebrae e de todas que participaram dos encontros comigo”, relatou.
Néia encontrou nas atividades do programa uma forma de preencher um sentimento de vazio e mitigar os pensamentos turbulentos que a afligiam. E como já havia vendido lanches em Teresina e desejava retomar essa atividade, recebeu ainda mais incentivos.
Hoje, aos 49 anos, ela sente orgulho de ser uma empreendedora e conseguir mostrar seu talento na cozinha, ao mesmo tempo em que cuida da casa e do seu irmão. “O empreendedorismo tem sido uma terapia e uma forma de prosperar que nunca pensei em vivenciar. Essa oportunidade de participar do programa e ter visibilidade será sempre lembrada com gratidão”, concluiu ela.
Uma nova feira com mulheres beneficiadas pelo programa está prevista para ser realizada no dia 12 de dezembro, no Palácio do Buriti. A oportunidade aproximará as novas empreendedoras de servidores do Governo do Distrito Federal.
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