Na manhã ensolarada que tomou conta da quadra do Colégio Cor Jesu, na Asa Sul, um grupo de crianças corria de um lado para o outro para organizar seus estandes antes da chegada dos visitantes. Entre elas, a estudante Manuela Maryam, de 10 anos, ajustava cuidadosamente os calendários feitos à mão por sua turma. “Temos de parede, de mesa, de ímã e até de marca-páginas”, explicava, orgulhosa, enquanto recebia seus primeiros clientes. “É uma grande oportunidade para treinarmos as vendas e sermos jovens empreendedores”, disse empolgada.

Essa cena fez parte da 8ª edição da Feira dos Jovens Empreendedores Primeiros Passos (JEPP). A iniciativa é desenvolvida na unidade educacional por meio de uma parceria firmada com o Sebrae no Distrito Federal. Dentro desse contexto, o Sebrae atuou, no primeiro semestre do ano, capacitando os professores para que se tornassem multiplicadores de conhecimento e incentivassem os alunos a aplicar, na prática, os conceitos sobre empreendedorismo que aprenderam em sala.
As competências abordadas incluem a elaboração de um pequeno negócio e as etapas necessárias para sua implementação, todas alinhadas à temática do livro do JEPP, o que abrange, entre outros aspectos, pesquisa de mercado, gestão financeira, fabricação de produtos para venda e técnicas de atendimento ao cliente.
Durante meses, estudantes do 1º ao 5º ano do ensino fundamental aprenderam conceitos de empreendedorismo e colocaram em prática competências como planejamento, trabalho em equipe, criatividade e educação financeira. O resultado pôde ser visto em uma variedade encantadora de produtos que variaram entre temperos naturais cultivados e processados pelas crianças, brinquedos ecológicos, calendários personalizados, chaveiros, porta-retratos e até quitutes preparados pelos próprios estudantes.
Para a coordenadora pedagógica Inês Alves, a feira é muito mais que um momento de vendas. É uma experiência transformadora que forma crianças mais conscientes e criativas. “Quando o programa começou há oito anos, não imaginávamos o quanto seria marcante. Hoje, não tem como parar. As crianças vibram, criam, decidem, empreendem. É um marco no Cor Jesu. Elas aprendem a lidar com desafios, a valorizar o esforço coletivo, a respeitar opiniões diferentes e a colocar ideias em prática com responsabilidade”, contou.

A coordenadora também reconheceu que o sucesso do programa na unidade escolar só é possível graças ao comprometimento e à dedicação incansável dos docentes e demais funcionários do colégio, que trabalham em perfeita sintonia para oferecer suporte e orientação a cada etapa prevista na metodologia. Para ela, o trabalho em equipe é a base que fortalece a união da comunidade escolar, promovendo um ambiente colaborativo onde talentos se complementam, desafios são superados juntos e o aprendizado se torna uma construção coletiva. “A cooperação entre educadores, funcionários e estudantes mostra que juntos é possível transformar a educação em uma experiência rica e significativa para todos”, acrescentou.
A professora Juliana Ferreira, do 2º ano, viveu sua primeira experiência com o JEPP e destacou o aprendizado prático proporcionado pela proposta. “Trabalhamos com os estudantes a descoberta dos temperos naturais e seus benefícios. Eles replantaram mudas de alecrim, manjericão, tomilho e pimenta. Participaram de todas as etapas – da jardinagem à produção de geleias e molhos, criação de rótulos e montagem das barracas. Todos quiseram colocar a mão na massa. Foi um trabalho muito produtivo e encantador de ver”, afirmou.
As famílias também tiveram papel especial na realização da feira. Daniele Lima, mãe de uma aluna do 2º ano, acredita que o JEPP contribui para a formação cidadã desde cedo. “Acho ótimo esse momento, porque já ensina sobre sustentabilidade, finanças e responsabilidade. É o segundo ano da minha filha participando e ela adora. Eles aprendem de forma leve, mas muito significativa”, destacou.

Além do entusiasmo das crianças e da comunidade escolar, o evento reforça a importância de programas como o JEPP para o futuro da educação. Segundo Rodolfo Medeiros, assessor pedagógico da Sagrada Rede de Educação, a proposta é um exemplo de aprendizado inovador.
“A feira desperta nas crianças o potencial de criar, planejar e colocar ideias em prática com método e propósito. O Sebrae tem um papel essencial nisso, ajudando a formar empreendedores conscientes, que sonham, mas também aprendem a estruturar e viabilizar suas ideias”, ressaltou.

O colégio já colhe os frutos dessa jornada empreendedora. Para muitos alunos, como Manuela, a feira vai além de uma simples venda. É a chance de experimentar o protagonismo e descobrir talentos que podem influenciar seu futuro. “Achei incrível ver que a gente pode planejar, trabalhar e vender algo que nós mesmos fizemos. Isso me dá coragem para sonhar e realizar outras coisas no futuro”, finalizou Manuela.

