Na Escola Classe Altamir, localizada em Planaltina, o empreendedorismo infantil ganhou forma de cinema. Em sua primeira participação no Programa Jovens Empreendedores Primeiros Passos (JEPP), a escola apresentou nesta quarta-feira, 19, a culminância do projeto em meio à já tradicional feira de final de ano, a Feicriarte: Feira de Criação e Arte Empreendedora. Entre os diversos trabalhos expostos, um projeto em especial chamou atenção pela criatividade, engajamento e sensibilidade social: um curta-metragem produzido pelos alunos do 4º ano do Ensino Fundamental I.
Sob a condução do professor Natanael Silva de Assis, os estudantes desenvolveram o filme Direito à Mesa, um curta de cinco minutos que aborda a cidadania por meio de uma narrativa envolvente. A trama acompanha duas meninas com realidades socioeconômicas diferentes. Uma delas enfrenta dificuldades para se alimentar, enquanto a outra, com melhores condições, mobiliza amigos para ajudar a colega. O enredo surgiu a partir de temas discutidos em sala de aula e foi sendo construído coletivamente, com participação ativa dos estudantes em todas as etapas – da leitura do roteiro à improvisação nas gravações.
“O produto do 4º ano deveria ser cultural. Já tinha trabalhado com cinema em outra escola e pensei: por que não fazer um filme? Eles atuaram, participaram do roteiro, treinaram muito, e a gente decidiu vender ingressos a R$3 para a comunidade assistir. É uma maneira de unir arte, educação e empreendedorismo”, explicou o professor, que mesmo tendo assumido recentemente a coordenação em outra escola, fez questão de concluir o projeto com os alunos.

O envolvimento foi total: das gravações na escola e nas casas dos alunos – representando diferentes realidades – até as filmagens no centro de Brasília, nos arredores da Praça dos Três Poderes. A edição do material foi feita pelo próprio professor, que também incluiu ideias e trilhas sugeridas pelos alunos. “Eles improvisaram cenas emocionantes, como um abraço espontâneo que não estava no roteiro. Eu achei lindo e deixei. Foi um processo realmente coletivo e tocante”, relatou Natanael.
No ano passado, a coordenadora pedagógica da unidade, Gleiriane Nascimento, estava em sala e começaram a trabalhar os sonhos das crianças. “A ideia aqui é sempre mostrar que elas são capazes de criar, produzir e, quem sabe, gerar renda no futuro. Hoje, mesmo como coordenadora, sigo com esse mesmo propósito, incentivando os professores a transformar ideias em produtos reais”, contou.

Ela observa ainda que o projeto ultrapassa os muros da escola, envolvendo a comunidade e incentivando hábitos empreendedores nas famílias. “Já temos relatos de ex-alunos que saíram do 5º ano vendendo os produtos que criaram aqui, junto com os pais. Isso é muito potente. Muitos aqui vêm de realidades carentes, e o empreendedorismo se apresenta como alternativa concreta de renda e transformação’’.
Já a diretora da escola, Ellen Silva de Deus, reforça o compromisso da instituição em fomentar o protagonismo infantil e oferecer uma formação cidadã integral. “Mais do que ensinar a vender, o JEPP ensina nossos alunos a sonhar, planejar e realizar. A feira de hoje é o reflexo de um ano inteiro de construção coletiva, com cada turma colocando em prática seus aprendizados de forma criativa e autêntica’’.
Da teoria à prática: a Fábrica dos Sonhos
Outro destaque da feira foi a turma do 5º ano B, conduzida pela professora Helena Gomes, com o projeto Fábrica dos Sonhos. Desde o início do ano letivo, os 16 alunos passaram a organizar uma pequena vendinha diária na hora do intervalo. Montaram um minimercado completo, com propaganda, caixa e divisão de funções – uma verdadeira microempresa em operação.
Com os recursos arrecadados, eles realizaram o primeiro grande sonho: um passeio coletivo para uma chácara com piscina e pula-pula, tudo custeado com o lucro das vendas. “Eles entenderam que empreender é uma forma de conquistar seus objetivos. Aprenderam sobre planejamento, precificação, atendimento ao público e, principalmente, sobre o valor do esforço coletivo”, pontuou a professora Helena.
Entre os estudantes da escola, estava Amanda Vitorino, de 10 anos, do 4º ano matutino. Em seu primeiro ano na escola, ela se mostrou empolgada com tudo o que viu. “Eu adorei a feira, é muito legal ver o que a gente pode fazer com nossas ideias. Um dia eu quero ter o meu negócio. Ainda não sei do quê, mas sei que vai mudar minha vida e ajudar a minha família também”, concluiu.

A feira empreendedora é realizada pela instituição de ensino graças a uma parceria que o Sebrae estabeleceu com a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal é fruto de um trabalho coletivo envolvendo professores e demais colaboradores da instituição. Para isso, a instituição de apoio aos pequenos negócios e fomento ao empreendedorismo atuou de forma estratégica, capacitando os educadores para que se tornassem agentes multiplicadores, mediando conhecimentos e motivando os estudantes a aplicar na prática o que aprenderam em sala de aula.
Como resultado, eles puderam desenvolver habilidades empreendedoras, como a criação de marca, pesquisa de mercado, gestão financeira, fabricação de produtos para venda e técnicas de atendimento ao cliente.
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