O Espaço Cultural Professora Neusa Marques, na Asa Norte, foi cenário da cerimônia de premiação do 14º Circuito de Ciências das Escolas Públicas do Distrito Federal. A ocasião ocorreu na última terça-feira, 25 de novembro, e reuniu, em dois momentos, estudantes, educadores, membros de comunidades escolares, além de servidores da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF), colaboradores do Sebrae no DF e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) com o propósito de celebrar as ideias mais bem avaliadas da inciativa.
Organizado pela SEEDF, por meio da Gerência de Programas e Projetos Transversais (Gproj), associada à Diretoria de Serviços, Programas e Projetos Transversais (Dispre) da Subsecretaria de Educação Básica (Subeb), o circuito contou, pelo terceiro ano consecutivo, com o apoio do Sebrae no DF para mobilizar comunidades escolares das 14 Coordenações Regionais de Ensino (CREs) do território brasiliense, visando estimular a produção e a divulgação científica, tecnológica, empreendedora e cultural.
A edição deste ano teve como foco estimular a pesquisa, a criatividade e o protagonismo estudantil, promovendo um debate fundamental sobre a preservação dos recursos hídricos. Para isso, os estudantes da rede pública do DF foram desafiados a desenvolver projetos sob o tema “Água para quê?”, em sintonia com a 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT). O evento, que é o principal de divulgação científica do Brasil, promovido pelo MCTI, aconteceu no mês de outubro e reuniu iniciativas inerentes ao tema “Planeta Água: Cultura oceânica para enfrentar as mudanças climáticas no meu território”.
A diretora de Serviços, Programas e Projetos Transversais da SEEDF, Ana Karina Braga Isaac, abriu a cerimônia falando ao público presente sobre o nível de evolução dos trabalhos que os estudantes levam para as etapas do circuito anualmente. Ela, que acompanha a iniciativa desde a terceira edição, também ressaltou a crescente participação nas etapas realizadas e enfatizou a natureza abrangente do circuito, que se relaciona com todas as modalidades e disciplinas da rede pública de ensino.

Ana Karina ainda comentou sobre parceria estabelecida com o Sebrae no DF. “Essa parceria, por mais um ano, proporcionou que a gente conseguisse ampliar a divulgação do evento e também fomentar o empreendedorismo em toda a nossa rede de ensino. Houve um grande impacto em todas as etapas do Circuito de Ciências”, afirmou.
Os números oficiais desta edição do Circuito de Ciências demonstraram o poder transformador da pesquisa. As etapas envolveram mais de 120 mil participantes. Ao todo, foram apresentados 933 projetos, idealizados por 21 mil estudantes e orientados por 1562 professores, evidenciando que o conhecimento científico não conhece fronteiras.
A coordenadora de Educação Empreendedora do Sebrae no DF, Ana Emília Andrade, também falou com entusiasmo acerca dos trabalhos apresentados pelos estudantes nesta edição do Circuito de Ciências. “Pude visitar os locais de cada etapa do circuito e ver de perto que os projetos apresentados são transformadores e extremamente inspiradores. Percebemos que havia muita consciência, muito comprometimento e criatividade em cada projeto e que, especialmente, muitos buscavam propor soluções para problemas identificados nas comunidades do nosso DF. São conceitos que o Sebrae busca estar em sintonia e estimular sempre”, comentou.

Ana Emília também recordou sobre o início da parceria entre a SEEDF e o Sebrae no âmbito do Circuito de Ciências e revelou a expectativa pela longevidade da colaboração. “Nosso envolvimento com este importante movimento foi iniciado há três anos, em Sobradinho. Começou como um namoro, agora já é um relacionamento ainda mais sério que caminha para um casamento sem direito a divórcio. Vamos continuar parceiros na próxima edição e principalmente trabalhar para fazermos uma grande edição de 15 anos desta iniciativa”, assegurou a coordenadora.
A gerente de Programas e Projetos Transversais da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, Raquel Vila Nova, também comentou sobre a importância do apoio ofertado pelo Sebrae. Segundo ela, a instituição foi essencial para o circuito alcançar, novamente, números recordes.

Raquel ainda citou como uma das importantes colaborações do Sebrae para a realização da edição de 2025, a página da iniciativa na internet (www.circuitocienciasedf.com.br).
No endereço ficaram concentradas todas as informações referentes à iniciativa, como regulamento, cronograma das etapas, inscrição de projetos e vídeos com dicas sobre como elaborar uma pesquisa, produzir o diário de bordo – documento que compila registros de informações, dúvidas, ilustrações, gráficos, experimentos, dados e resultados, além da cronologia dos experimentos e outras informações relevantes sobre a pesquisa – bem como banners e outros materiais.
Entre as ideias reconhecidas na cerimônia está um projeto que visa a otimização do consumo de água na agricultura, desenvolvido por estudantes do Ensino Médio do Centro Educacional (CED) Incra 08, próximo a Brazlândia. O trabalho, que combina tecnologia e sustentabilidade foi orientado por um time de professores. Entre eles, Jadson Lucena, de Matemática.

O professor falou com entusiasmo sobre a conquista das estudantes e também acerca da gênese do projeto. Segundo ele, a inspiração surgiu da necessidade de encontrar soluções com uma das tecnologias do momento, a Inteligência Artificial, para otimizar o consumo de água na área agrícola local, já que o Incra fica próximo à Bacia do Rio Descoberto, fundamental para o abastecimento hídrico do DF. “Elas pensaram em trazer a tecnologia, desenvolveram um aplicativo para ajudar os produtores agrícolas a diminuir um pouco o consumo de água”, resumiu o professor.
Yasmin Vitória Leal foi uma das mentes por trás da ideia e comentou que, juntamente com as demais estudantes, realizou visitas a propriedades rurais para testar a aplicação em um ambiente real. “Fomos até uma chácara para conseguirmos falar com um produtor e testar o nosso projeto. Durante esses testes, foram observadas as partes positivas e as áreas para melhoria, que foram documentadas no diário de bordo e no projeto científico. O aplicativo é como uma calculadora inteligente que quantifica a quantidade de água necessária para a plantação, adaptável a diferentes contextos, como estufas, canteiros comerciais e hortas caseiras”, detalhou.
Os resultados práticos do aplicativo se mostraram significativos. Yasmin destacou o impacto direto na conservação da água. “Com o uso da IA, foi possível economizar 20% de água. Conseguimos promover uma consciência hídrica para aquele produtor e também para outras pessoas, incluindo outros estudantes”, complementou ela.
Com a conquista do primeiro lugar no Circuito de Ciências, a equipe do CED Incra 08 já projeta os próximos passos. A intenção é continuar participando de eventos científicos e buscar novas formas de valorizar a ciência. “Nós pretendemos participar da próxima edição do circuito e fazer com que a ciência possa ser mais valorizada”, concluiu Yasmin.
-
Confira abaixo a relação das instituições de ensino reconhecidas na premiação:
Categoria A – Educação Infantil
1º – CCEI Divino Espirito Santo – Gama
Projeto: De gotinha em gotinha: Cada uma importa.
-
Categoria B – Educação Fundamental Anos iniciais
1º – Escola Classe 04 – Sobradinho
Projeto: Água para saber, saber para água ter: um manual prático sobre preservação hídrica.
-
Categoria C – Educação Fundamental Ano Finais
1º – Centro de Ensino Fundamental 20 – Ceilândia
Projeto: Maracujá, o Rei da Calmaria e Herói do Oceano: Produção de Bioplástico a Partir da Casca do Maracujá
-
Categoria D – 1º Segmento da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e Educação Prisional
1º – CEF 03 de Planaltina
Projeto: CONTA FÁCIL: Decifrando a Conta de Água e Promovendo o Consumo Consciente.
-
Categoria E – 2º Segmentos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e Educação Prisional
1º – CED 01 de Brasília
Projeto: Ciênсia e Cidadania na EJA: Filtro Caseiro e SODIS para Melhoria da Qualidade da Água.
-
Categoria F – 3º Segmentos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e Educação Prisional
1º – Centro de Ensino Médio 01 de São Sebastião
Projeto: Filtração Caseira: uma alternativa para o tratamento e o acesso à água potável em uma comunidade de São Sebastião.
-
Categoria G – Centro de Ensino Especial (CEE), EJA Interventiva, Sala de Recursos Generalista (SRG), Sala de Apoio à Aprendizagem (SAA) e Classe Especial (CE)
1º – CEE 01 – Sobradinho
Projeto: Entre Fibras e Gotas: água como aliada na reciclagem de papel e na educação ambiental.
-
Categoria H – Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD)
1º – Caic Helena Reis – Samambaia
Projeto: Água: Temos tudo com isso?
-
Categoria I – Ensino Médio
1º – CED Incra 08 – Brazlândia
Projeto: Implementação de IA para a economia e inovação da irrigação agrícola.
-
Categoria J – Ensino Médio em Tempo Integral (EMTI) e Educação Profissional e Tecnológica
1º – CED 08 – Gama
Projeto: Doenças de Veiculação Hídrica Indireta e o Meio Ambiente: um Olhar Mais Atento à Dengue no Distrito Federal.

