Minutos após abrir oficialmente a programação do Movimente 2026, na manhã da última terça-feira, 3 de março, o Sebrae no Distrito Federal começou a promover uma série de encontros setoriais voltados a mulheres que lideram cadeias produtivas na região. O pontapé inicial foi com o Seminário Elas Criam o Futuro, atividade que contou com a presença de empreendedoras que atuam no segmento de economia criativa, e artesãs e do setor de casa e construção e ocorreu dentro do Espaço Protagonistas – montado no subsolo do Hotel Royal Tulip Brasília Alvorada com a proposta de articular ações que fortaleçam o ambiente de negócios e assegurem condições favoráveis ao empreendedorismo feminino em todas as regiões do Brasil.
A atividade abordou o papel feminino na economia criativa e na geração de renda e contou, em um primeiro momento, com uma apresentação da jornalista Daniela Falcão. Ela é fundadora da Nordestesse, um hub criativo que registra, amplia e fomenta a produção, as discussões e o talento de marcas e serviços de empreendedores nordestinos.
Daniela Falcão iniciou sua participação no encontro propondo uma reflexão sobre o conceito de economia criativa e apresentando indicadores do setor no território nacional. A jornalista pontuou que, após as eras industrial e da informação, o mercado global vivencia o que classifica como “Revolução Criativa”. “Diferente da automação, que substitui processos industriais e de programação, a economia criativa baseia-se em atributos exclusivamente humanos, como a emoção e o intelecto, tornando-se um campo imune à substituição plena por máquinas em áreas como o artesanato, o design e as artes”, observou.

Para o público feminino, segundo a jornalista, o segmento desponta como uma porta de entrada acessível ao empreendedorismo por depender prioritariamente de capital humano. Daniela destacou que, ao exigir investimentos financeiros iniciais reduzidos em comparação à indústria tradicional, o setor permite que o talento e a perseverança sejam os principais ativos na geração de renda. Nesse contexto, Daniela defendeu que a articulação de políticas públicas e o suporte de órgãos de fomento são fundamentais para transformar trajetórias de resiliência em modelos de negócios sustentáveis, promovendo uma distribuição de renda mais equilibrada.
Daniela encerrou sua análise destacando o papel transformador do suporte institucional, como o ofertado pelo Sebrae. “Apostar na economia criativa é um diferencial que só o Brasil tem. É fascinante ver o poder desse setor em trazer uma distribuição de renda mais igualitária e acessível. Com uma ideia e o apoio de políticas públicas e de órgãos como o Sebrae, é possível impulsionar todo esse setor e ser cada vez mais comum ouvimos histórias de superação de pessoas que deram certo usando, prioritariamente, o seu capital criativo”, projetou.
A jornalista seguiu no palco do encontro para mediar uma mesa-redonda com a participação de Elma Sousa, referência em economia criativa e fundadora do Instituto Galpão, e da mestre artesã Francisca Rosa Martins Macedo, conhecida como Chica Rosa, fundadora da Cia do Lacre.

Elma narrou detalhes de sua trajetória na economia criativa e ao fim do encontro destacou a importância do Movimente como uma realização que transcende o networking ao consolidar um ecossistema que gera negócios reais e fortalece a identidade feminina. Para ela, o empreendedorismo é indissociável do cuidado com a dignidade da mulher. “O Movimente vem para gerar conexões. Esse ecossistema que encontramos aqui é fundamental porque, enquanto inspiramos e somos inspiradas, trabalhamos automaticamente a autoestima, a proteção e o fortalecimento da mulher”, afirmou.
Chica Rosa também contou sobre sua trajetória de vida e profissional, com destaque para a associação que criou e que se consolida como um símbolo de transformação social e sustentabilidade no Distrito Federal, transformando materiais descartados em produtos de valor agregado.

A artesã reforçou a importância das parcerias institucionais para o sucesso dos pequenos negócios, mencionando sua relação de quase três décadas com o Sebrae no DF, e propôs uma reflexão sobre a vitalidade e o propósito do empreendedorismo social. “Eu nasci para ser empreendedora. Esse trabalho que desenvolvo tem um eixo socioambiental, é prazeroso e me faz sentir rica, mais mulher e mais humana. Se eu ajudo alguém a ser forte, é porque eu também sou forte; não podemos dar ao outro aquilo que não temos. O que eu tenho é coragem para dizer que sou de todas vocês e, embora o caminho seja cansativo, ele é renovador. Digo que não sinto que tenho 70 anos. Minha mente e meu corpo são de 30”, concluiu.
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