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Lançada a segunda etapa do Programa Turismo Fora dos Eixos

Nova fase da iniciativa será desenvolvida pelo Sebrae no DF em parceria com o Instituto Bancorbrás
Por José Maciel | Clip Clap Comunicação
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As regiões que formam um território nunca são idênticas. Cada uma carrega uma combinação singular. São diferentes tradições, fatores naturais, históricos, econômicos e culturais que estimulam a criação de experiências autênticas e que são altamente capazes de impulsionar diversos setores da economia, entre eles o turismo.

Com o propósito de fortalecer as identidades de território e promover o avanço da atividade turística em quatro regiões administrativas do Distrito Federal, o Sebrae no DF, em parceria com o Instituto Bancorbrás (IB), lançou na noite de segunda-feira, 14 de setembro, a segunda etapa do Programa Turismo Fora dos Eixos. A ação ocorreu em uma cerimônia realizada no Sebraelab (Parque Tecnológico de Brasília/BioTIC) e reuniu atores que atuam na cadeia produtiva de Ceilândia, Planaltina, Samambaia e São Sebastião.

Diná Ferraz, diretora técnica do Sebrae no DF, deu início ao evento salientando que o programa é motivo de orgulho para a instituição por ter como objetivo evidenciar o potencial turístico inexplorado das regiões administrativas do Distrito Federal. “Quando falamos de Turismo Fora dos Eixos, estamos nos referindo a um enorme potencial que existe nas regiões administrativas, além dos limites da região central de Brasília, e que precisa ser divulgado, explorado e conhecido por nós, brasilienses, pelos brasileiros e por todos que nos visitam”, afirmou.

Foto: Focus Produção de Imagem

Para a concretização desse objetivo, a dirigente ressaltou a importância da parceria estabelecida com o IB. Segundo ela, a união de esforços entre as organizações é essencial para transformar as potencialidades de cada território em experiências turísticas acessíveis e atrativas.

Logo na sequência, Roberta Abreu, gerente executiva do Instituto Bancorbrás, também enalteceu a parceria, classificando-a como um encontro de sinergias. Segundo ela, a ação está alinhada com o propósito do instituto de valorizar territórios e suas potencialidades muitas vezes negligenciadas. “O Turismo Fora dos Eixos dialoga com nossa missão de olhar para o território e reconhecer as oportunidades que ele oferece. Não queremos focar apenas no turismo cívico de Brasília, mas explorar o que é incomum, pois é nesse contexto que encontramos a verdadeira essência do Distrito Federal”, destacou.

Foto: Focus Produção de Imagem

A programação da noite seguiu para uma apresentação conduzida por Nathália Hallack, gestora dos projetos de Turismo do Sebrae no DF. Antes de falar sobre as ações pensadas pelas instituições para o desenvolvimento da nova etapa, ela contou um pouco da história de concepção do programa.

Tudo começou em 2023, durante as comemorações de aniversário de Ceilândia, quando a superintendente do Sebrae no DF, Rose Rainha, propôs aos colaboradores da instituição o desafio de mostrar o que a mais populosa região administrativa do DF tinha para oferecer. A partir dessa provocação, a equipe do Sebrae buscou meios de compreender a realidade da região e agiu, promovendo a realização de um festival gastronômico que envolveu a feira central da cidade, além de outras ações voltadas ao turismo e a diferentes cadeias produtivas da região.

A experiência permitiu que muitas pessoas conhecessem e se encantassem com o que Ceilândia tem a oferecer e consistiu no primeiro passo do que, meses depois, se tornaria o Programa Turismo Fora dos Eixos.

Com apoio institucional do Instituto BRB, parceiro da primeira fase, o programa avançou por meio de metodologias participativas, engajando moradores, lideranças e empreendedores não apenas de Ceilândia, mas também de Planaltina, Samambaia e São Sebastião em oficinas e exercícios de mapeamento afetivo do território.

Nesse momento, Nathália destacou ao público presente no Sebraelab que o desenvolvimento turístico de uma região exige tempo e amadurecimento, por isso o primeiro objetivo não foi comercial, mas sim o fortalecimento da autoestima e do senso de pertencimento das comunidades envolvidas.

Foto: Focus Produção de Imagem

Desse processo nasceram quatro guias afetivos acompanhados das marcas dos territórios de Ceilândia, Planaltina, Samambaia e São Sebastião. A entrega desse conjunto de materiais foi concluída no início de dezembro de 2024, resultando no mapeamento de 72 iniciativas presentes nas quatro localidades.

Nathália pontuou que a primeira etapa cumpriu seu papel de aproximar as comunidades de suas próprias potencialidades e prepará-las para um novo momento do projeto. “Vencemos um primeiro obstáculo e conseguimos fortalecer a autoestima e o senso de pertencimento das comunidades. Agora, temos um outro desafio muito grande pela frente, que é trabalhar as oportunidades de negócio e o acesso a mercado desses territórios”, sustentou a gestora do Sebrae no DF.

A nova etapa do programa está estruturada em três eixos de atuação, governança, marca e turismo. No eixo de governança, o objetivo é criar grupos de trabalho do turismo em cada um dos quatro territórios, responsáveis por construir planos de ação específicos, respeitando as particularidades e capacidades de cada região. Já no eixo de marca, segundo Nathália a proposta é capacitar as comunidades para a gestão das identidades criadas na primeira fase, já que as marcas são de acesso livre e download público, mas ainda dependem da apropriação dos próprios moradores e lideranças para circularem de forma efetiva dentro e fora dos territórios.

No eixo de turismo, Nathália detalhou que o foco passa pela atualização dos guias afetivos, pela criação de mapas específicos para cada região e pelo desenvolvimento de novos roteiros e experiências, unindo o que já existe no cotidiano das comunidades a produtos com maior grau de aprimoramento para públicos mais específicos.

Durante a apresentação, Nathália comentou ainda sobre a necessidade de trabalhar a inteligência de mercado e a percepção de valor dos territórios, deixando de lado abordagens ligadas ao turismo solidário ou pedagógico para consolidar Ceilândia, Planaltina, Samambaia e São Sebastião como opções legítimas de lazer, cultura e gastronomia, tanto para moradores de Brasília quanto para visitantes de outras regiões do país. “Queremos que as pessoas possam entender esses territórios como opções legítimas de lazer, cultura, diversão e boa gastronomia”, assegurou.

Nathália detalhou ainda os próximos passos do programa. Um time de consultores do Sebrae passará a atuar diretamente nos quatro territórios a partir da primeira semana de outubro, conduzindo as capacitações previstas para essa segunda etapa. Eles irão caminhar a lado a lado com os atores de cada região para concluir um cronograma que prevê atividades até o dia 10 de dezembro deste ano. Durante esse período, está prevista a revisão dos guias afetivos, a elaboração de mapas, a estruturação de experiências turísticas e a formação de grupos de trabalho voltados para a governança e a marca em cada região.

Foto: Focus Produção de Imagem

Após um intervalo em janeiro, o trabalho deve seguir por mais quatro meses, voltado ao monitoramento desses planos e ao desenvolvimento de estratégias de acesso ao mercado, com a expectativa de apresentar resultados até o aniversário de Brasília, em 21 de abril.

“Fico muito emocionada ao ver o início desta nova etapa, pois o Turismo Fora dos Eixos é uma iniciativa que me inspira tanto como profissional quanto como ser humano. A possibilidade de promover mudanças e transformações em um território por meio do nosso trabalho é extremamente gratificante. Hoje, percebi uma receptividade e um engajamento significativos por parte dos atores envolvidos, o que me deixou muito satisfeita”, concluiu Nathália.

A programação da noite contou, ainda, com a participação da jornalista, educadora e empreendedora social, Amanda Rahra, reconhecida por seu trabalho voltado à democratização da comunicação, à diversidade e ao desenvolvimento de territórios populares. Ela apresentou iniciativas que têm transformado a forma de olhar para as regiões periféricas do país, como o Prato Firmeza, guia gastronômico das periferias brasileiras criado em 2016 pela Associação Énois, laboratório de comunicação popular e jornalismo voltado a jovens das quebradas de São Paulo.

O projeto, segundo Amanda, nasceu com o objetivo de descentralizar o circuito da alta gastronomia e mostrar que existe culinária rica, diversa e de qualidade muito além dos centros urbanos tradicionais.

A jornalista também citou o Circuito Cultural Periférico de São Paulo, também promovido pela Énois e que conecta os territórios de Brasilândia, São Mateus, Paraisópolis e Grajaú, unindo artistas, comunicadores e lideranças locais em torno de pautas como justiça climática, alimentação e o cotidiano das quebradas.

Foto: Focus Produção de Imagem

Amanda também falou sobre a importância de os territórios buscarem editais de fomento como forma de viabilizar projetos locais, associando esse acesso a recursos a uma pauta de reparação histórica e de valorização de artistas, cozinheiras e cuidadoras das comunidades.

Ao encerrar sua participação, a jornalista definiu moradores, lideranças e empreendedores das quatro regiões como protagonistas desse processo. “Vocês são guardiões e guardiãs do desenvolvimento territorial de Ceilândia, Samambaia, São Sebastião e Planaltina”, finalizou.

Guias e marcas

Os guias afetivos, lançados como parte das entregas da primeira etapa do programa, estão disponíveis de forma virtual e reúnem informações condensadas, retratadas em textos e fotos, que estão disponíveis para moradores do DF e turistas que desejam explorar experiências, celebrar histórias, fortalecer identidades e criar laços e conexões. Clique aqui e confira.

As marcas de Ceilândia, Planaltina, Samambaia e São Sebastião, que expressam a identidade única desses territórios, também estão disponíveis para o público e podem ser baixadas na página do programa na internet e utilizadas como uma forma de valorizar as regiões e fortalecer o turismo do Distrito Federal.

Foto: Focus Produção de Imagem

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