Empresas de tecnologia não crescem apenas pela capacidade de desenvolver produtos ou oferecer serviços. Em mercados marcados pela velocidade da inovação, acesso a capital, intercâmbio de conhecimento e proximidade com outros negócios também podem influenciar a trajetória de uma empresa. É a partir dessa lógica que o Brasília Tech Hub avança para uma nova etapa de implantação no Parque Tecnológico de Brasília (BioTIC), com a proposta de reunir empresas de tecnologia, startups, universidades, centros de pesquisa, investidores em um mesmo ambiente.
Na manhã da última terça-feira, 18 de agosto, empresários e representantes do ecossistema de tecnologia e inovação do Distrito Federal participaram de um encontro no Sebraelab para conhecer os detalhes do projeto. A apresentação marcou a última janela de adesão para empresas interessadas em participar da estruturação do empreendimento nas condições iniciais. O prazo para ingresso segue aberto até 31 de agosto.
O encontro foi conduzido pelo presidente do Sindicato da Indústria da Informação do Distrito Federal (Sinfor/DF), Carlos Jacobino, que apresentou o conceito, o modelo de governança, a área prevista para implantação e as etapas projetadas para a construção do distrito de tecnologia e inovação.
Logo no início da apresentação, Jacobino fez uma distinção entre o Brasília Tech Hub e o Parque Tecnológico de Brasília como um todo. Segundo ele, o projeto corresponde especificamente a uma estrutura que ocupará duas quadras e cinco tendas dentro do complexo do BioTIC.
“Não estamos falando do Parque Tecnológico como um todo. Estamos falando do Brasília Tech Hub, que é uma estrutura que vai ocupar duas quadras aqui dentro do Parque Tecnológico de Brasília. É importante fazer essa distinção porque o Parque Tecnológico é um projeto mais amplo. Nós estamos falando, especificamente, do nosso distrito de tecnologia e inovação”, explicou.
O projeto é estruturado como uma iniciativa privada em parceria com o poder público. O grupo fundador reúne empresas como G4F, Memora Processos Inovadores, Grupo ISG, Max Tecnologia e Central IT, e já adquiriram as duas quadras onde será instalada a estrutura. Segundo Jacobino, o investimento inicial realizado pelas empresas fundadoras soma dezenas de milhões de reais.
A proposta prevê que novas empresas possam ingressar como acionistas de uma Sociedade Anônima, passando a participar da governança do projeto. De acordo com o presidente do Sinfor/DF, após a implantação da estrutura física, as ações serão convertidas em espaços correspondentes à participação de cada empresa.

“Estamos convidando vocês para se tornarem acionistas de uma Sociedade Anônima, dentro de uma estrutura com governança. A nosso ver, é um dos modelos mais adequados para esse tipo de projeto, porque uma Sociedade Anônima exige transparência, acompanhamento e prestação de contas. O Conselho de Administração responde pelas decisões e pela gestão. Portanto, estamos falando de um modelo privado com um nível elevado de governança e credibilidade”, afirmou.
Um distrito pensado para conexões
A localização do Hub, dentro do BioTIC, foi apresentada como parte da estratégia de aproximar empresas e instituições que atuam em diferentes frentes da economia do conhecimento. A área deverá reunir edificações destinadas a empresas e startups, além de coworking, laboratórios, espaços de educação, aceleradoras, áreas verdes, mobilidade e ambientes dedicados ao investimento em tecnologia.
Para Jacobino, entretanto, a infraestrutura física é apenas uma parte do projeto. A proposta central está na criação de um ambiente capaz de gerar conexões permanentes entre os diferentes atores do ecossistema. Segundo ele, o objetivo é criar condições para que empresas brasilienses possam ampliar sua atuação para outros mercados e, ao mesmo tempo, atrair negócios e oportunidades de diferentes regiões e países para Brasília. Para isso, o projeto já conta com uma consultoria internacional especializada em conexões entre ecossistemas de inovação.
“Queremos internacionalizar os nossos negócios, levando-os daqui para outros lugares e trazer empresas e oportunidades de outros ecossistemas para Brasília. O mais importante para nós é essa conexão”, destacou.

A expectativa é que o plano completo de estruturação seja apresentado até o final de outubro. O documento deverá consolidar estudos de arquitetura, engenharia, projeções financeiras e demais aspectos necessários para definir a implantação do distrito.
A previsão apresentada durante o encontro é que a aprovação legal do projeto ocorra até maio de 2027, com início das obras previsto para junho do mesmo ano. Por isso, segundo Jacobino, o período atual foi definido como a última janela para a entrada de novos acionistas no primeiro ciclo de estruturação.
“Temos até o final de outubro para apresentar o plano completo de estruturação. É um trabalho feito por uma equipe multidisciplinar, que envolve advogados, engenheiros, projetistas e profissionais responsáveis pelas projeções financeiras. Toda essa projeção estará dentro do documento que será apresentado”, explicou.
De acordo com o presidente do Sinfor/DF, mais de 60 empresas já aderiram ao projeto, com cerca de 40 mil metros quadrados comprometidos e aproximadamente seis mil pessoas previstas para ocupar o espaço. O prazo até 31 de agosto foi estabelecido para permitir que os projetos de arquitetura e engenharia sejam desenvolvidos com uma definição mais precisa sobre o número de empresas participantes, quantidade de colaboradores e necessidades de espaço.
“Precisamos saber quantas empresas estarão ali, quantos colaboradores teremos, quantos metros quadrados serão necessários e quais espaços cada empresa precisará. A partir daí, conseguimos definir se vamos construir duas ou três torres, qual será a altura, como será a distribuição e toda a estrutura necessária. É por isso que precisamos fechar esse primeiro ciclo de adesão”, afirmou.
Entre as empresas que já participam da estruturação está a G4F Soluções Corporativas, representada no encontro pelo sócio e diretor comercial Matheus Lacerda. Para ele, a principal contribuição do projeto está justamente na possibilidade de aproximar empresas que hoje atuam de forma mais isolada.

“Esse é um projeto que já é discutido há alguns anos e que nos dá a oportunidade de unir todo o ecossistema. Hoje, no Distrito Federal, cada empresa muitas vezes está no seu próprio espaço, sem uma integração efetiva. Com esse projeto, acredito que conseguimos levar o Brasil para outro patamar, transformando Brasília em uma referência nacional em tecnologia. Conto com vocês e espero que possamos construir isso juntos”, afirmou.
A mesma perspectiva é compartilhada por Jeovani Salomão, diretor-presidente da Memora Processos Inovadores e ex-presidente do Sinfor/DF. Segundo ele, o potencial do projeto está na frequência com que empresas, startups, universidades e instituições poderão se encontrar.
“O mais importante é que o projeto saia com todos nós juntos. O parque tecnológico impulsiona a economia da cidade porque faz com que a gente se encontre mais e mais vezes. Agora, imaginem isso acontecendo todos os dias: ter a oportunidade de conhecer empresas grandes, já consolidadas, mas também empresas que estão começando, startups e negócios com boas ideias, e poder estabelecer essas interações diariamente”, destacou.
Entre os empresários que participaram do encontro para conhecer a iniciativa esteve Paula Matos, CEO da UnexCom, empresa brasiliense do setor de telecomunicações com 20 anos de atuação. Ela afirma que chegou ao evento interessada em compreender como a proposta poderia se relacionar com o momento atual da empresa.
“Eu sou praticamente a única mulher no ramo de telecomunicações como empresária, e é um sonho para quem empreende na área de tecnologia fazer parte de uma estrutura como essa. Então, vim aqui justamente em busca desse sonho. Depois de conhecer a proposta, o que mais me chamou a atenção foi a possibilidade de concentrar esse ecossistema. Brasília precisa dessa integração. Por ser a capital, acredito que essa é uma iniciativa muito importante e que pode trazer muita inovação para Brasília”, disse.
Para Cláudia Bonifácio, gestora dos projetos Brasília Conecta TIC e Sebrae Conecta Games, o Brasília Tech Hub é apresentado como parte de uma estratégia de longo prazo para consolidar Brasília como polo de tecnologia, inovação e economia do conhecimento.

“Para mim, acompanhar esse movimento é muito especial. Há mais de dez anos, quando cheguei ao Sebrae, já participava das discussões sobre a necessidade de Brasília ter um ambiente que integrasse empresas de TIC, startups e os diferentes atores do ecossistema de inovação. São nesses espaços de convivência e conexão que surgem parcerias, novos negócios e oportunidades. Precisamos ocupar e construir juntos esse ambiente, para fortalecer nossas empresas e posicionar Brasília cada vez mais como referência em tecnologia e inovação’’, finalizou.
As empresas interessadas em participar da primeira etapa de implantação do Brasília Tech Hub, o prazo de adesão segue aberto até 31 de agosto. A partir do encerramento dessa fase, serão consolidadas as informações necessárias para o desenvolvimento dos projetos de arquitetura, engenharia, governança e sustentabilidade financeira do distrito.
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