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Fórum pós-missão à China aproxima empresários do DF das tendências que devem transformar o mercado de energia solar

Encontro promovido pelo Sebrae reuniu especialistas para compartilhar aprendizados da Missão Técnica Internacional à China
Por Jamile Rodrigues | Clip Clap Comunicação
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A energia solar já deixou de representar apenas uma alternativa para redução da conta de luz e passou a ocupar posição estratégica dentro da economia brasileira. A rápida evolução das baterias, da inteligência artificial, dos sistemas de armazenamento e das tecnologias de gestão energética vem alterando a forma como empresas produzem, consomem e comercializam energia. Grande parte dessas transformações tem origem na China, país que concentra alguns dos maiores fabricantes mundiais do setor e sedia a SNEC, considerada a principal feira internacional de energia fotovoltaica.

Foi justamente para compartilhar esses avanços com empresários do Distrito Federal que o Sebrae promoveu, na noite da última quinta-feira, 30 de julho, o Fórum Pós-Missão Empresarial à China, realizado no auditório da Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL/DF). O encontro reuniu participantes da missão internacional realizada em junho para apresentar tendências tecnológicas, estratégias de mercado, oportunidades de negócios e os principais aprendizados obtidos durante os 13 dias de visitas técnicas em Xangai e Pequim.

A missão teve caráter nacional e foi coordenada pelo Polo Sebrae de Energias Renováveis, sediado no Rio Grande do Norte, reunindo empresários de diferentes estados brasileiros. O Distrito Federal participou com uma delegação formada por seis empresários do setor solar. O fórum, realizado nesta quinta-feira, teve como proposta ampliar o alcance desse conhecimento, permitindo que outros empreendedores conhecessem as oportunidades identificadas durante a viagem.

Na abertura do encontro, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal, Eduardo Pereira Rodrigues Neto, destacou a importância da parceria entre a entidade e o Sebrae para ampliar o acesso dos pequenos empresários a iniciativas voltadas ao desenvolvimento empresarial.

Foto: Focus Produção de Imagem

“É uma satisfação receber todos nesta casa e participar de mais uma iniciativa realizada em parceria com o Sebrae. Representamos principalmente micro e pequenas empresas e entendemos que ações como essa ampliam o acesso ao conhecimento, fortalecem o empreendedorismo e contribuem para o desenvolvimento do setor produtivo do Distrito Federal”, afirmou.

Em seguida, o gerente de Negócios em Rede do Sebrae no Distrito Federal, Carlos Cardoso, explicou que a missão foi planejada para gerar impactos que ultrapassassem os limites da cadeia de energia solar.

“Quando surgiu a oportunidade de participar dessa missão, percebemos que ela poderia beneficiar não apenas os empresários do setor energético, mas também comerciantes e pequenos varejistas interessados em compreender novas oportunidades relacionadas à eficiência energética e ao desenvolvimento de novos negócios. As missões empresariais proporcionam muito mais do que visitas técnicas. Elas ampliam a visão dos empresários, aproximam novos mercados e fazem com que esse conhecimento retorne ao Distrito Federal para beneficiar todo o ecossistema empreendedor”, destacou.

Foto: Focus Produção de Imagem

Além da Muralha

A programação teve início com a palestra “Além da Muralha”, conduzida pelo consultor do Sebrae Rio Grande do Norte, Rafael Demétrius, que participou da organização da missão empresarial.

Ao apresentar uma análise sobre a transformação econômica chinesa, o consultor destacou que um dos principais diferenciais do país está na capacidade de planejar o desenvolvimento em longo prazo, mantendo investimentos contínuos em infraestrutura, educação, inovação e propriedade intelectual.

“Uma das coisas que mais chamou nossa atenção foi a infraestrutura chinesa. Percorríamos quatro horas de ônibus para chegar às fábricas e, durante todo o trajeto, não víamos um único buraco nas estradas. Isso demonstra a capacidade que a China desenvolveu em planejamento, logística e construção. Outro aprendizado importante é que nenhuma empresa pode ignorar a transformação digital. Redes sociais, inteligência artificial, Business Intelligence, indicadores de desempenho e pesquisa constante deixaram de ser diferenciais para se tornarem elementos fundamentais da competitividade”, afirmou.

Segundo Rafael, experiências internacionais também ajudam a combater uma postura que, na sua avaliação, ainda limita o crescimento de muitas empresas: a resistência em buscar novos conhecimentos e aprender com outras organizações.

Foto: Focus Produção de Imagem

“Ao longo de mais de vinte anos trabalhando com empreendedorismo, aprendi que um dos principais fatores que levam empresas ao fracasso é acreditar que já sabem tudo. O benchmarking realizado durante uma missão empresarial amplia a visão dos empresários e gera aprendizados que dificilmente seriam obtidos apenas dentro da rotina da empresa. Por isso fazemos questão de incentivar cada vez mais empresários a participarem dessas experiências internacionais’”, comentou.

Na sequência, Daniel Pansarella, Country Manager da TRINA SOLAR Brasil e Presidente do Conselho Fiscal da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), apresentou uma análise sobre os impactos da inovação chinesa no mercado brasileiro.

Segundo ele, o investimento contínuo em pesquisa e desenvolvimento tornou-se um dos principais ativos econômicos das grandes fabricantes internacionais.

“Hoje, uma das maiores fontes de receita da Trina vem do licenciamento de patentes e dos direitos de propriedade intelectual. Nós faturamos mais com a tecnologia que desenvolvemos do que propriamente com a fabricação dos equipamentos. Essa é uma reflexão importante para o setor brasileiro. Também precisamos acompanhar temas como a Reforma Tributária e compreender como essas mudanças vão impactar o mercado. Além disso, qualidade precisa continuar sendo prioridade. Nem sempre o equipamento mais barato entrega a potência anunciada e esse é um cuidado que todo empresário deve ter ao negociar diretamente com fornecedores internacionais”, alertou.

Após as palestras, o consultor Rafael Demétrius mediou um painel com Daniel Pansarella e os empresários brasilienses Lucas de Paula Barros, CEO da Onze Energia e presidente da Associação Brasiliense de Energia Solar (ABES), e Gabriel Lacerda, da Slim Solar. O debate reuniu experiências vivenciadas durante a missão, comparações entre os ambientes de negócios brasileiro e chinês, impactos da inteligência artificial, organização industrial, logística e perspectivas para o mercado nacional diante das transformações observadas na Ásia.

Foto: Focus Produção de Imagem

O encerramento da programação ficou por conta de Adolfo Cestari, gerente comercial da Hoymiles Brasil, que apresentou uma análise sobre as mudanças que já começam a alterar o varejo de energia solar.

“Um pequeno mercado, uma farmácia ou uma loja de conveniência simplesmente deixam de vender quando falta energia. É aí que entra uma palavra fundamental para qualquer empresário: previsibilidade. Com a evolução das baterias, dos sistemas de armazenamento, dos softwares e da inteligência artificial, a energia deixou de ser apenas um produto. Hoje é possível gerar energia, armazená-la, interagir com a rede elétrica e criar novas fontes de receita. O contexto global mudou e isso muda completamente a realidade do varejo solar brasileiro”, explicou.

Conhecimento compartilhado

Para a gestora da cadeia de energia solar do Sebrae no DF, Milena Sabino, o principal objetivo do encontro foi democratizar o conhecimento adquirido durante a missão internacional.

Foto: Focus Produção de Imagem

“A missão empresarial à China foi uma experiência extremamente rica, repleta de conteúdos, tendências e oportunidades para o setor de energia solar. Nosso propósito com este fórum foi trazer esses aprendizados para os empresários que não puderam participar da viagem, ampliando o alcance desse conhecimento e fortalecendo todo o ecossistema local. Quando compartilhamos experiências como essas, aproximamos o mercado do Distrito Federal das transformações que já estão acontecendo no cenário internacional e contribuímos para que nossas empresas estejam mais preparadas para os desafios e oportunidades que vêm pela frente”, finalizou.

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