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Evento no Sebraelab mostra possibilidades de empreender, aprender e inovar após os 60 anos

Programação reuniu participantes para discutir IA, empreendedorismo, inclusão digital, literatura e inovação
Por Ketlen Martins | Clip Clap Comunicação
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Mostrar que experiência e tecnologia podem caminhar juntas foi um dos principais objetivos do “IA 60+:Experiência que Inova”, realizado na última sexta-feira, 2 de outubro, no Sebraelab, no Parque Tecnológico de Brasília (BioTIC). O evento reuniu pessoas com 60 anos ou mais para uma tarde de palestras, demonstrações práticas e atividades sobre empreendedorismo, Inteligência Artificial (IA), alfabetização digital, literatura, games e novas oportunidades.

Na abertura, a diretora técnica do Sebrae no DF, Diná Ferraz, destacou o potencial desse público para a economia. Segundo ela, a experiência acumulada ao longo da vida pode ser transformada em novas oportunidades de atuação profissional e empreendedora. “Hoje os 60 mais são um nicho muito forte e importante da sociedade brasileira. E ele está cada vez mostrando o seu potencial como cidadão e como empreendedor. E o papel do Sebrae é justamente esse: fortalecer parcerias e criar as condições para que todo esse potencial se transforme em resultados concretos”, afirmou.

Foto: Focus Produção de Imagem

Na sequência, a programação seguiu com a colaboração de Margô Karnikowski, coordenadora do programa UniSER – Universidade do Envelhecimento, e com a professora Thaís Lamounier.

Margô explicou que o Uniser surgiu há 11 anos para estudar e compreender o envelhecimento e ampliar a percepção sobre a longevidade. Atualmente, o programa reúne mais de 30 projetos em diferentes áreas, incluindo literatura, alimentação saudável, esportes e tecnologia. “A longevidade requer sabedoria. Ela requer a gente entender que nós teremos algumas limitações, sim, mas que nós teremos muitas oportunidades de viver uma vida digna, feliz e realizada”, defendeu.

Foto: Focus Produção de Imagem

Também integrante do programa e professora da Universidade de Brasília (UnB), Thaís ressaltou a importância da extensão universitária para aproximar diferentes gerações e estimular a participação ativa das pessoas mais velhas. Segundo ela, o Uniser oferece uma formação de dois anos, com aulas presenciais, atividades práticas e conteúdos relacionados a temas como saúde, qualidade de vida e finanças. “A gente quer tirar essas pessoas de casa, fazer com que elas sejam mais proativas, que tenham uma participação maior na sociedade e que possam continuar aprendendo e contribuindo”, completou.

Empreendedorismo e inclusão digital

O palestrante e consultor empresarial Fernando Dantas conduziu a apresentação “Empreendedorismo depois dos 60: oportunidade, propósito e geração de renda”. Ele apontou três ativos que podem ser usados por quem deseja empreender: experiência, confiança e reputação.

Durante a palestra, o consultor realizou demonstrações ao vivo com o ChatGPT, mostrando como a ferramenta pode auxiliar em situações práticas, como planejamento financeiro e organização de ideias. O especialista também alertou para os cuidados necessários no uso da tecnologia, recomendando que os usuários confiram as informações geradas pela IA e nunca compartilhem senhas, CPF, dados bancários ou fotos de documentos.

Foto: Focus Produção de Imagem

A inclusão digital foi abordada por Luiz Henrique dos Santos, que apresentou o projeto de Alfabetização Cidadã Digital, desenvolvido pela Universidade Católica. Criada em 2023, a iniciativa já atendeu cerca de 1,4 mil pessoas e contou com aproximadamente 400 alunos voluntários. Segundo ele, o projeto busca não apenas ensinar o uso de computadores e celulares, mas também promover socialização e aproximação entre diferentes gerações.

Literatura e trajetórias de vida

A literatura também teve espaço na programação. A fundadora do Grupo Escreva, Hulda Rode, apresentou o projeto “Escreva sua História”, voltado à valorização das trajetórias de vida e à transformação dessas experiências em registros literários. “Nós acreditamos muito na valorização das histórias que essas pessoas contribuíram ao longo das vidas. Elas precisam ser respeitadas e, ao mesmo tempo, precisamos inspirar essas histórias”, pontuou.

O projeto contou com a participação dos escritores Leopoldina Colares, ex-superintendente da Caixa Econômica Federal, e José Adroaldo Gonçalves, auditor aposentado da instituição.

Aos 87 anos, Leopoldina falou sobre a importância de permanecer ativa e continuar desenvolvendo projetos. “Continuo ativa, continuo lúcida e trabalhando. Todo dia agradeço essa bênção de poder estar viva e poder estar caminhando ainda, assim, com projetos, com sonhos, sem nunca desistir”, relatou.

Foto: Focus Produção de Imagem

Adroaldo, autor do livro “O Quinto Filho”, apresentou ao público o processo de produção de sua autobiografia, escrita diretamente no computador e transformada em uma obra com mais de 400 páginas.

IA e novas possibilidades

Na discussão sobre Inteligência Artificial e novas possibilidades para quem já possui uma longa trajetória profissional, o escritor Johnson Palmeira, que atua com tecnologia e IA metodológica aplicada aos negócios, observou que a idade não representa o fim da capacidade de aprender, criar ou iniciar novos projetos.

Para ele, a experiência acumulada ao longo da vida pode ser potencializada pelas ferramentas de inteligência artificial, especialmente no trabalho de escritores e produtores de conteúdo. A tecnologia pode auxiliar na pesquisa, na organização de ideias, na estruturação de textos e no desenvolvimento de projetos, mas não substitui a história e a experiência de quem está por trás da produção.

O escritor, consultor e especialista em gestão estratégica Edjair Alves, autor de livros sobre o comportamento das gerações, contou que voltou a estudar aos 73 anos para pesquisar as características de diferentes gerações. “A felicidade é construída por pessoas, por gerações e ao longo da vida. E cada um tem que ser protagonista de sua própria felicidade. É algo que você não pode terceirizar”, ponderou.

Foto: Focus Produção de Imagem

O evento também proporcionou espaço para que participantes falassem sobre suas expectativas e experiências com a tecnologia.

Aos 73 anos, o jornalista e fotojornalista Fernando Bezerra da Silva participou do evento no Sebraelab em busca de ferramentas para otimizar seu trabalho e ampliar sua atuação profissional. “A IA vai me ajudar muito a potencializar e vencer essa timidez que a gente nunca acha que está pronto para fazer. Ela descomplica aquilo que a gente complica”, avaliou.

Outro participante foi o profissional autônomo Paulo Arantes Junior, de 62 anos. Ele atua na área de educação financeira e prevenção ao endividamento e valorizou a oportunidade de conhecer novas ferramentas e estabelecer contatos. Durante o encontro, ele passou a considerar a produção de um audiolivro a partir de sua experiência profissional. “Eu posso falar da minha experiência, do meu repertório, e a inteligência artificial consolidar isso tudo. De repente, formatar isso num formato mais inteligível, mais didático, e compor um audiolivro”, detalhou.

A programação contou, ainda, com o Circuito Interativo 60+, que proporcionou experiências com realidade virtual, impressão 3D e games, além de um Quiz Empreendedor. As estações foram conduzidas por jovens profissionais das áreas de tecnologia, design de jogos, educação e inovação, que deram um show de interação e criatividade, aproximando o público 60+ de novas tecnologias e mostrando, na prática, que nunca é tarde para aprender, experimentar e descobrir novas possibilidades. Entre os profissionais estavam José Alberto, fundador da Coffee Crow Studios e professor colaborador da UniSER; Isabella Karnikowski, coordenadora do Capital LAB, da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do DF (Secti/DF), e empreendedora na área de inovação social; e João Vitor de Lorenzi Jardim, designer e desenvolvedor de jogos e plataformas gamificadas.

Foto: Focus Produção de Imagem

Quem celebrou o resultado do evento foi Cláudia Bonifácio, gestora dos projetos TIC e Games do Sebrae no DF e idealizadora do evento. Com um público de mais de 100 pessoas, ela destacou a satisfação em ver os participantes tão envolvidos e abertos a novas experiências.

Para Cláudia, a iniciativa também foi uma oportunidade de valorizar a experiência de vida e a trajetória profissional do público 60+, aproximando esse conhecimento da criatividade e do domínio tecnológico das novas gerações. A proposta foi promover uma troca entre gerações, mostrando que a inovação ganha ainda mais força quando une experiência, conhecimento e novas ideias”, concluiu.

Foto: Focus Produção de Imagem
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