Donos de pequenas malharias do Distrito Federal que aguardam pelo novo edital do Programa Cartão Uniforme Escolar participaram nesta terça-feira, 14 de abril, de uma rodada de crédito promovida pelo Sebrae no Distrito Federal. A ação ocorreu na sede da instituição de apoio aos pequenos negócios, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), e foi realizada em parceria com a Federação das Indústrias do DF (Fibra) e o Sindicato das Indústrias de Vestuário do DF (Sindiveste/DF) como parte de mais um capítulo da força-tarefa que visa preparar os empreendimentos para atender à demanda de produção de uniformes escolares que deverão abastecer as escolas da rede pública de ensino da capital a partir de 2027.
A rodada aconteceu exatos 33 dias após os mesmos empresários participarem de um primeiro evento promovido pelas instituições para reunir os interessados em atuar na fabricação dos uniformes escolares e apresentar orientações sobre planejamento financeiro, organização documental e estruturação de projetos para acesso a financiamento. Ainda naquela ocasião, representantes bancários detalharam as linhas de crédito disponíveis para o setor e especialistas do Sebrae explicaram a preparação necessária para o diálogo que aconteceria durante a rodada, além de ressaltar temas como organização contábil, separação entre contas pessoais e empresariais, planejamento de custos e a definição precisa do montante necessário para investimento.
“O papel do Sebrae é promover o acesso ao crédito de forma consciente. Proporcionamos essa aproximação para que os donos de malharias consigam dialogar com as instituições financeiras de forma mais eficiente do que em uma agência comum, viabilizando futuros negócios e destacando, ainda, a oportunidade de uso do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas, o FAMPE, mecanismo que pode garantir parte do financiamento solicitado pelos empreendedores”, explicou o analista da Gerência de Atendimento Personalizado (GAPE) e gestor do projeto Conexão Financeira do Sebrae no Distrito Federal, Ewerton Valois.

A presidente do Sindiveste/DF, Walquíria Aires, comemorou a realização da atividade e ressaltou que a o acesso ao crédito é fundamental para que os proprietários das malharias possam alcançar poder de barganha no momento da compra de insumos à vista e iniciem a produção já no mês de setembro. Desse modo, quando a Secretaria de Estado de Educação do DF liberar os cartões para os pais, o que está previsto para ocorrer em dezembro, as malharias empenhadas na produção estarão com os estoques prontos para atender à demanda.
“Com esse planejamento, nós buscamos evitar a correria de início de ano e assegurar que o setor de malharias esteja totalmente abastecido quando os cartões forem liberados em dezembro. Nosso objetivo é produzir as peças necessárias para que, no começo do ano letivo, todos os estudantes da rede pública já estejam com seus uniformes”, comentou a dirigente do sindicato.
Walquíria também destacou o apoio do Sebrae no envolvimento e qualificação das empresas, desde a realização de pesquisas de capacidade produtiva até as consultorias para formação de preço de custo. “Sem a estrutura e o apoio que o Sebrae tem disponibilizado, seria muito mais difícil para o sindicato e para o setor alcançarem o nível de preparação necessário para atender a essa demanda”, acrescentou.

Também presente à atividade, o assessor de negócios sindicais e de crédito da Fibra, Ernesto Duarte, salientou que a cooperação institucional é a chave para superar o acesso ao crédito, historicamente um dos maiores gargalos do setor industrial. “O papel da Fibra, do Sindiveste e do Sebrae é unir com precisão as duas pontas: o tomador e o fornecedor de recursos. Estamos permitindo que o empresário chegue ao banco com uma estrutura sólida e as garantias necessárias e provando, na prática, que quando as instituições se unem, a força de um setor é ainda maior”, observou.
A estrutura montada na sede do Sebrae no DF funcionou como um centro de negociações. Mesas foram distribuídas estrategicamente no espaço do evento, viabilizando o diálogo direto e a costura de acordos entre os empresários e representantes do Bradesco e das cooperativas Sicoob Empresarial, Sicoob CrediBrasília e Sicredi.
Algumas das cadeiras do evento foram ocupadas por Vitor Cezar Souza e sua mãe, Juycé Rodrigues de Souza. Proprietários da Arpoá Uniformes, empresa com 15 anos de trajetória na Asa Sul e que recentemente expandiu as atividades para Taguatinga, eles veem o acesso ao crédito como uma estratégia essencial para viabilizar a produção dos uniformes em escala industrial.
Para a dupla, o recurso é fundamental para sustentar o crescimento da equipe de colaboradores e garantir a formação de um estoque robusto, evitando o estrangulamento financeiro que ocorre quando a produção e a venda acontecem simultaneamente. “Poder ter acesso ao capital de giro meses antes como tem sido a proposta apresentada é essencial para formarmos estoque com tranquilidade e girar a produção sem sobressaltos”, frisou Vitor.

O empresário também pontuou que a busca por linhas de financiamento na rodada reflete o amadurecimento do empreendimento após uma experiência anterior com taxas elevadas por falta de embasamento técnico. “Desta vez, chegamos à mesa de negociação com mais conhecimento técnico graças às consultorias ofertadas pelo Sebrae, que tem nos ofertado o conhecimento necessário para acessar o crédito de forma consciente e sustentável”, complementou ele.
A Arpoá Uniformes é acompanhada pelo Sebrae no DF por meio da Assessoria de Negócios, um relacionamento individualizado e contínuo, focado no sucesso do empreendimento. “Ao longo da trilha de atendimento, vinculamos consultorias para fortalecer a gestão financeira, a organização dos controles básicos e o planejamento do negócio. A dedicação da Juycé e do Vitor, aliada ao acompanhamento técnico do Sebrae, tem sido determinante para o amadurecimento da empresa e para que decisões estratégicas, como o acesso ao crédito, sejam tomadas de forma mais segura e sustentável”, pontuou a assessora de negócios do Sebrae no DF, Natany Lemos.
Outra empresária que aproveitou a realização da rodada de crédito foi Diana Souza, que está à frente da Malharia Ponto a Ponto, sediada no Arapoanga. Ela e seus colaboradores enfrentaram um cenário de adversidades financeiras para atender à primeira demanda de produção dos uniformes escolares no início deste ano. Sem apoio bancário e com o crédito zerado, ela precisou agir rápido para não perder a oportunidade e recorreu a empréstimos com familiares, amigos e até a um agiota para levantar a quantia necessária para compra dos insumos. “Eu não tinha de onde tirar. Precisei aceitar juros altíssimos para formar um estoque que, felizmente, se esgotou em apenas dois dias de vendas”, contou a empresária.

Após o sufoco da primeira etapa e com as contas normalizadas e o caixa em dia, Diana viu na rodada de crédito uma janela para vislumbrar novos horizontes e a chance de profissionalizar ainda mais sua gestão financeira. “É maravilhoso estar frente a frente com o gerente, poder falar diretamente com ele em vez de ficar presa a mensagens ou ligações que não dão retorno. Pela primeira vez, não me senti desamparada. Com o Sebrae, sinto que tenho um apoio real para buscar o conhecimento e o crédito consciente que minha empresa precisa para crescer de forma sustentável”, assegurou Diana.
Quem também aprovou a realização do evento na sede do Sebrae foi o gerente de relacionamento do Sicoob Empresarial, Walter Santos. Ele comentou que a cooperativa busca sempre atuar para facilitar o acesso ao crédito, transformando o que antes era elencado como barreira em uma oportunidade real de expansão para os pequenos negócios.
Durante os atendimentos, Walter observou que muitos empreendedores possuem domínio técnico de suas atividades, mas acabam limitando o crescimento de seus empreendimento por desconhecerem as alternativas de fomento disponíveis no mercado financeiro. “Muitos empresários sabem trabalhar, mas não sabem que existem bancos parceiros que podem ajudar na expansão, na contratação de funcionários ou na renovação do maquinário. Nosso objetivo é ofertar o crédito correto para o empresário, permitindo que ele tome esse recurso de forma sustentável para crescer seu faturamento e transformar suas projeções em realidade”, concluiu.
Sobre o Programa Cartão Uniforme Escolar
Instituído no início de outubro de 2025 pelo Governo do Distrito Federal (GDF), o programa tem como meta assegurar uniformes a todos os estudantes regularmente matriculados na rede pública de ensino do DF, sem distinção ou critério de renda familiar.
O primeiro edital estabeleceu diretrizes determinando que os responsáveis pelos estudantes iriam receber um cartão operado pelo Banco de Brasília (BRB) com um que poderia ser utilizado para adquirir até sete peças de um kit – composto por três camisetas de manga curta, duas bermudas, uma calça comprida e um casaco – em estabelecimentos comerciais credenciados.
As peças deveriam ser produzidas em rigorosa obediência aos padrões de qualidade e às especificações técnicas descritas no edital, além de seguir as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), garantindo resistência, conforto e durabilidade adequados ao uso diário dos estudantes.
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